Publicado em 31 de julho de 2026 às 17:02
O governo do Reino Unido ofereceu ajuda oficial às autoridades espanholas nesta sexta-feira (31) para enfrentar o recente fluxo migratório no enclave de Ceuta, no norte da África. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, manifestou preocupação com a situação e informou que Londres está em contato com Madri para compreender as implicações do cenário, embora não tenha detalhado que tipo de apoio será prestado. De acordo com o governo autônomo de Ceuta, cerca de 60 mil migrantes irregulares entraram no território nos últimos dias.>
A entrada em massa gerou uma crise diplomática na Europa. Países como Itália, Finlândia e Dinamarca reagiram defendendo a suspensão da Espanha do Espaço Schengen, a zona de livre circulação de pessoas no continente. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou estar pronta para agir por meio de medidas excepcionais. Paralelamente, o chanceler alemão, Friedrich Merz, cobrou que o governo espanhol impeça a entrada de migrantes no continente e que Marrocos aceite o retorno imediato dessas pessoas.>
O fluxo migratório intensificou-se na última quinta-feira (30), impulsionado por rumores em redes sociais sobre uma suposta abertura da fronteira. Milhares de jovens e adolescentes tentaram atravessar as vedações de arame farpado ou contornar a fronteira pelo mar, muitos utilizando apenas boias. A travessia perigosa resultou em tragédias: fontes indicam que o número de mortos durante a tentativa de entrada em Ceuta pode chegar a 57 pessoas.>
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, visitou o enclave e classificou a situação como "um ataque e uma violação da integridade territorial" do país. Sánchez atribuiu a crise a redes de tráfico humano e máfias que teriam espalhado as informações falsas para incentivar a travessia. Ceuta, que possui cerca de 80 mil habitantes, é, junto com Melilla, uma das únicas fronteiras terrestres entre a África e a Europa. Tanto Espanha quanto Marrocos garantiram que há cooperação entre as nações para tentar reverter o fluxo migratório.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>