Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 13:55
Uma fundação internacional inaugurou um verdadeiro “cofre de gelo” na Antártida com a missão de preservar amostras de geleiras de diversas partes do mundo. A iniciativa pretende garantir que esses fragmentos possam ser estudados por cientistas no futuro e ajudem a compreender melhor a evolução do clima da Terra.>
O projeto é conduzido pela fundação Ice Memory (Memória do Gelo, em português), que inaugurou o primeiro santuário do gelo na Estação Concordia, um centro de pesquisa franco-italiano localizado no continente antártico. A cerimônia de abertura ocorreu na quarta-feira (14). O local foi escolhido por reunir condições naturais ideais para a conservação do gelo por longos períodos.>
As primeiras amostras armazenadas no santuário vieram dos Alpes europeus, região que engloba países como Áustria, França, Alemanha, Itália e Suíça. A expectativa dos pesquisadores é ampliar o acervo nos próximos anos, com a coleta de gelo de outras áreas ameaçadas pelo aquecimento global, como os Andes, o Himalaia e o Tadjiquistão.>
Segundo os responsáveis pelo projeto, preservar fragmentos de diferentes geleiras é fundamental para garantir registros confiáveis do clima do passado. Cada núcleo de gelo funciona como um “arquivo natural”, pois guarda informações sobre temperatura, composição da atmosfera, presença de poluentes e outros elementos que ajudam a entender como o clima da Terra mudou ao longo dos séculos.>
“Ao preservar amostras físicas de gases atmosféricos, aerossóis, poluentes e poeira aprisionados em camadas de gelo, a Fundação Memória do Gelo garante que futuras gerações de pesquisadores poderão estudar as condições climáticas do passado utilizando tecnologias que talvez ainda nem existam”, afirmou o vice-presidente da Ice Memory, Carlo Barbante, em comunicado.>
A iniciativa também surge como resposta ao avanço do aquecimento global, que tem acelerado o derretimento das geleiras em várias regiões do planeta, colocando em risco essas importantes fontes de informação científica.>
Como funciona o “cofre de gelo”>
O santuário construído na Estação Concordia é uma caverna com cerca de 35 metros de comprimento e cinco metros de altura e largura. A estrutura levou quase dez anos para ser concluída e foi escavada a aproximadamente 10 metros abaixo da superfície. As amostras serão mantidas a uma temperatura constante de -52 °C, sem a necessidade de sistemas de refrigeração artificial.>
Pesquisadores de todo o mundo poderão solicitar acesso aos arquivos, que será concedido com base no mérito científico dos projetos. A proposta é que o santuário funcione como um patrimônio global, livre de interferências políticas ou geopolíticas.>
“Para que esses núcleos de gelo sirvam à ciência daqui a um século, eles precisam ser gerenciados como um bem comum global”, destacou o presidente da Ice Memory, Thomas Stocker.>
Já a diretora da fundação, Anne-Catherine Ohlmann, reforça o caráter urgente da iniciativa. Segundo ela, a geração atual pode ser a última capaz de agir para proteger esses registros naturais. “É uma responsabilidade que todos compartilhamos. Preservar esses arquivos de gelo não é apenas uma missão científica, é um legado para toda a humanidade”, concluiu.>
Com informações do Metrópoles >