Publicado em 16 de junho de 2026 às 07:48
A estreia da seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026, disputada contra a Nova Zelândia nesta segunda-feira (15), transformou o gramado de Los Angeles em um verdadeiro palco de manifestações geopolíticas e sociais. Logo após o jogador Rezaeian balançar as redes, os torcedores iranianos nas arquibancadas desafiaram as regras rígidas da Fifa ao exibir a mensagem "Mina168".>
O manifesto faz referência ao trágico bombardeio militar dos Estados Unidos na cidade de Minab, no sul do Irã, ocorrido em fevereiro deste ano. O ataque, motivado por relatórios de inteligência desatualizados que apontavam para uma antiga base do exército, atingiu uma escola de meninas no primeiro dia de um conflito armado, tirando a vida de 168 pessoas, em sua grande maioria alunas e professoras.>
Esse desejo de dar voz às vítimas já vinha sendo demonstrado pela própria delegação de atletas na semana anterior. Ao desembarcarem em Tijuana, no México onde o Irã montou sua base de treinamentos devido às restrições que só permitem a entrada do grupo nos Estados Unidos nos dias dos jogos, os jogadores cruzaram a fronteira exibindo broches dourados com a inscrição "#168". A comoção ganhou força em Los Angeles por se tratar da região metropolitana que abriga a maior comunidade de imigrantes iranianos fora de seu país de origem.>
Por outro lado, o ambiente do lado de fora do estádio ganhou contornos de revolta contra o próprio governo de Teerã. Centenas de manifestantes se reuniram antes do apito inicial para protestar contra o atual regime comandado pelos aiatolás, a quem acusam abertamente de terrorismo. O grupo pedia mudanças drásticas na política do país e carregava a histórica bandeira do leão e do sol, símbolo oficial da nação até a revolução islâmica de 1979.>
A Fifa veta rigidamente qualquer tipo de manifestação política, religiosa ou comercial durante os jogos de seus torneios. A restrição à bandeira histórica chegou a ser levada aos tribunais locais horas antes do confronto, quando um juiz de Los Angeles confirmou a proibição em uma audiência de emergência.>
Apesar do cerco jurídico e da fiscalização nos portões, o sentimento de protesto falou mais alto e diversos torcedores conseguiram entrar e tremular o símbolo proibido nas arquibancadas, unindo a paixão pelo futebol ao clamor por justiça e liberdade.>