Trump afirma acordo sobre inspeções nucleares, mas Irã nega entendimento

Declarações cruzadas reacendem tensão entre Washington e Teerã em meio a negociações sobre programa nuclear e estreito de Hormuz

Publicado em 23 de junho de 2026 às 16:01

Declarações cruzadas reacendem tensão entre Washington e Teerã em meio a negociações sobre programa nuclear e estreito de Hormuz
Declarações cruzadas reacendem tensão entre Washington e Teerã em meio a negociações sobre programa nuclear e estreito de Hormuz Crédito: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (23) que o Irã teria concordado em permitir inspeções nucleares permanentes no país, como parte das negociações para reduzir as tensões no Oriente Médio. O governo iraniano, no entanto, negou a existência de qualquer acordo nesse sentido, mantendo o impasse entre as duas nações.

Em publicação na rede Truth Social, Trump disse que as inspeções seriam realizadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à ONU, por tempo prolongado. Ele afirmou ainda que, sem essa condição, não haveria avanço nas negociações em curso.

O presidente americano também declarou que a retirada parcial de restrições navais no estreito de Hormuz ocorreu após sinais de cooperação por parte do Irã. Segundo ele, o objetivo é garantir o que chamou de “honestidade nuclear” no processo de verificação.

Do lado iraniano, o embaixador na ONU, Ali Bahreini, contestou a versão apresentada por Washington e afirmou que somente o Irã decidirá como utilizar eventuais recursos liberados em um possível acordo com os Estados Unidos.

As negociações também envolvem medidas econômicas. Trump defendeu a liberação de recursos ao Irã, alegando que os valores seriam destinados exclusivamente à compra de alimentos e medicamentos, diante do que classificou como uma crise humanitária no país.

Segundo a imprensa estatal iraniana, está em discussão a liberação de cerca de 12 bilhões de dólares em ativos congelados, além da suspensão temporária de sanções sobre o petróleo iraniano. Washington, por sua vez, condiciona qualquer flexibilização ao uso restrito desses recursos.

Enquanto isso, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, viajou para Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein para tratar da segurança regional e da situação no estreito de Hormuz, área estratégica para o transporte de petróleo e alvo de tensão durante o conflito recente.

Rubio afirmou ainda que o Irã não poderá cobrar taxas ou “pedágios” pela passagem marítima em qualquer acordo, alegando que a medida violaria normas do direito internacional.

A Organização Marítima Internacional (OMI), vinculada à ONU, anunciou um plano de evacuação para mais de 11 mil marinheiros que ainda estão na região de Hormuz. A operação será feita com apoio de países da região, incluindo Irã e Omã, além dos Estados Unidos e do setor marítimo.

Mesmo com o cenário de tensão, dados da empresa de monitoramento Kpler indicam que 35 navios cargueiros atravessaram o estreito na segunda-feira (22), o maior volume registrado desde o início do conflito.

No campo diplomático, persistem divergências sobre o programa nuclear iraniano. Washington e aliados ocidentais acusam o Irã de buscar capacidade militar nuclear, enquanto Teerã afirma que seu programa tem fins exclusivamente pacíficos.

O governo iraniano também contestou declarações recentes dos Estados Unidos sobre o acesso de inspetores internacionais às instalações nucleares. Segundo o porta-voz Esmaeil Baghaei, não há acordo vigente que permita esse tipo de inspeção neste momento.

O impasse ocorre após ataques anteriores a instalações nucleares iranianas, incluindo Fordow, Natanz e Isfahan. Desde então, a Agência Internacional de Energia Atômica afirma não ter acesso completo às estruturas, e a dimensão dos danos segue sem confirmação oficial.