Trump ameaça impor tarifa de 50% a países que armarem o Irã

Medida foi anunciada um dia depois do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.

Publicado em 8 de abril de 2026 às 11:28

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Crédito: Daniel Torok/White House

Em meio a uma trégua ainda cercada de incertezas no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (08) que pretende aplicar uma tarifa de 50% sobre qualquer produto vendido ao mercado norte-americano por países que continuarem fornecendo armas ao Irã. A medida, segundo o republicano, teria efeito imediato e não contaria com exceções ou isenções.

A nova ameaça comercial surge logo após Washington e Teerã confirmarem um cessar-fogo temporário de duas semanas, costurado com mediação diplomática do Paquistão. Pelo entendimento, os Estados Unidos suspenderam os bombardeios planejados contra o território iraniano, enquanto o Irã aceitou restabelecer a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.

A reabertura do corredor marítimo foi recebida com alívio pelos mercados internacionais, especialmente pelo peso que a via tem no abastecimento global de energia. Após o anúncio da trégua, os preços do petróleo registraram forte queda e bolsas ao redor do mundo reagiram em alta, refletindo a expectativa de normalização gradual do fluxo de óleo e gás.

Apesar do gesto diplomático, o cenário está longe de indicar estabilidade. Autoridades norte-americanas classificaram a pausa nas hostilidades como delicada. O vice-presidente JD Vance afirmou que a trégua permanece “frágil”, sinalizando preocupação com a continuidade das negociações e com possíveis novos episódios de violência.

Outro ponto de tensão envolve Israel, aliado direto dos Estados Unidos no conflito. O governo israelense aceitou aderir ao cessar-fogo em relação ao Irã, mas deixou claro que o acordo não se estende ao Líbano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as operações militares em território libanês seguem em andamento, com bombardeios e incursões terrestres. Segundo balanços divulgados por veículos internacionais, mais de 1.500 pessoas morreram desde o início da ofensiva nessa frente, em 2 de março.

A decisão de Trump de endurecer a pressão econômica amplia o tom do confronto diplomático, mesmo em meio à tentativa de distensão militar. Analistas avaliam que a taxação funciona como um recado direto a países que mantêm relações estratégicas com Teerã, especialmente no campo bélico, e pode gerar novos desdobramentos nas relações comerciais globais.