Trump ameaça 'varrer' o Irã enquanto Teerã impõe condições para conversar

Em meio à contagem regressiva das eleições americanas e a meses de um tenso bloqueio, presidente dos EUA avisa que tomará decisões em breve.

Publicado em 6 de novembro de 2026 às 09:11

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Crédito: Molly Riley/Official White House

O cenário no Oriente Médio voltou a atingir temperatura máxima após o presidente norte-americano, Donald Trump, subir drasticamente o tom em relação ao futuro das negociações nucleares com Teerã. Falando diretamente do Salão Oval, o líder da Casa Branca não descartou intensificar as ações militares para neutralizar por completo as capacidades do país adversário.

"Acredito que eles levariam 25 anos para reconstruir o país. Se for possível, eu preferiria não destruir o que sobrou, mas talvez eu tenha que fazer isso", afirmou o republicano ao ser questionado por jornalistas sobre os próximos passos da geopolítica regional, prometendo um anúncio oficial muito em breve.

A nova jogada no tabuleiro diplomático

Enquanto o tom da Casa Branca endurece, os bastidores diplomáticos tentam evitar que o conflito escale para uma nova fase de combates. Em um movimento paralelo, o governo iraniano encaminhou aos Estados Unidos uma nova proposta focada no setor nuclear, utilizando o governo do Catar como ponte intermediária.

No entanto, interlocutores da capital iraniana deixaram claro que a mesa de negociações só será aberta se Washington aceitar previamente um pacote de sete exigências básicas estabelecidas por Teerã. O governo americano já está analisando os termos recebidos, embora nenhum detalhe do documento tenha sido divulgado oficialmente.

O cerne da crise, que se arrasta há anos e se intensificou ao longo da presença militar americana na região nos últimos sete meses, resume-se a um impasse técnico e soberano: a capacidade de enriquecimento de urânio.

A posição do Irã: Defende o direito indiscutível de desenvolver e enriquecer o material em seu próprio território para fins energéticos e civis, rejeitando qualquer restrição que considere discriminatória em relação a outros países.

A posição dos EUA: Admite o acesso do Irã à tecnologia nuclear civil, mas recusa categoricamente aceitar o enriquecimento interno por falta de garantias de que o combustível não será usado na fabricação de artefatos de guerra.

Diante do silêncio iraniano sobre abrir mão da tecnologia e das declarações do chanceler Abbas Araghchi que já havia desmentido qualquer recuo na posição do país, a diplomacia internacional corre contra o tempo enquanto aguarda a resposta final da Casa Branca.