Publicado em 10 de agosto de 2026 às 18:54
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (10) um decreto que altera profundamente a política federal de vacinação infantil no país. A ordem executiva propõe a redução do número total de imunizações nos primeiros anos de vida e a divisão do calendário nacional em três categorias distintas. A medida ocorre em meio a críticas de especialistas que apontam a falta de evidências científicas para mudanças tão drásticas.>
Uma das mudanças mais significativas é a recomendação para que a vacina SCR (Tríplice Viral), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, seja dividida em três doses individuais. Além disso, o governo orienta que as vacinas sejam aplicadas em uma série mais longa de consultas médicas, aumentando o intervalo entre as doses sob a alegação de que as crianças estariam recebendo "grandes quantidades" de uma só vez.>
Acompanhado pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., Trump fez afirmações sem provas de que a vacina SCR poderia ser "letal" e voltou a sugerir, contrariando diversos estudos científicos, possíveis ligações entre vacinas e o autismo. “Nada de ruim pode acontecer com o que estamos fazendo”, afirmou o presidente no Salão Oval.>
Com a nova política, o governo estabelece apenas 11 vacinas como recomendação geral para todas as crianças, incluindo as contra poliomielite, sarampo, tétano e HPV. Outros imunizantes, como os contra hepatite A e B, gripe, meningite e Covid-19, passam a ser recomendados apenas para populações de alto risco ou baseados em "decisão compartilhada" entre pais e médicos.>
A medida foi duramente criticada pelo senador republicano e médico Bill Cassidy, que classificou o decreto como "errado" e afirmou que o presidente não possui a experiência necessária para tais mudanças. Cassidy alertou que o fracionamento das doses aumentará a hesitação vacinal e deixará as crianças menos seguras.>
Organizações de saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam que a vacinação contra o sarampo, por exemplo, salva cerca de cinco vidas a cada segundo no mundo. Especialistas temem que as novas diretrizes federais, que o governo pretende pressionar os estados a adotarem, possam reduzir drasticamente as taxas de imunização e facilitar o surgimento de surtos de doenças já controladas.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>