Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 18:01
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20), que estendeu um convite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para integrar o Conselho da Paz de Gaza, iniciativa criada para discutir soluções políticas e econômicas para o conflito na região. Segundo o norte-americano, a expectativa é de que Lula tenha atuação relevante no grupo, declaração acompanhada de elogios pessoais ao chefe do Executivo brasileiro.>
Apesar do aceno público, o convite não foi recebido com entusiasmo pelo governo brasileiro. De acordo com informações apuradas junto a fontes do Palácio do Planalto, há resistência em relação ao formato do conselho, especialmente pela concentração de decisões sob a liderança direta de Trump, o que, na avaliação interna, reduziria o caráter multilateral da proposta.>
O colegiado é presidido pelo próprio Trump e reúne figuras próximas ao presidente dos EUA, como o enviado especial de política externa Steve Witkoff, o vice-conselheiro de segurança nacional Robert Gabriel e Jared Kushner, genro do republicano. Também integram o núcleo fundador o empresário Marc Rowan e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga. Além do Brasil, outros países receberam o convite, entre eles Argentina, Canadá, Paraguai, Turquia e Egito.>
Nos bastidores diplomáticos, Lula deve tratar do tema com o presidente da França, Emmanuel Macron. O governo francês, inclusive, já sinalizou publicamente que não pretende aderir ao conselho, reforçando o clima de cautela entre líderes europeus quanto à iniciativa norte-americana.>
Durante a mesma coletiva em que comentou o convite a Lula, Trump foi questionado sobre o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, firmado em 17 de janeiro. O presidente evitou entrar em detalhes e preferiu destacar o desempenho econômico dos Estados Unidos, atribuindo os resultados positivos à política tarifária adotada por sua gestão.>
Segundo Trump, o país vive um momento de crescimento sem precedentes no comércio internacional, com maior segurança econômica e números considerados históricos. A fala, no entanto, não trouxe posicionamentos diretos sobre o impacto do acordo entre os blocos nem sobre eventuais desdobramentos nas relações comerciais globais.>
Enquanto isso, o convite ao presidente brasileiro segue em análise, em meio a um cenário diplomático marcado por disputas de protagonismo e diferentes visões sobre a condução de negociações internacionais ligadas a conflitos sensíveis como o de Gaza.>