Trump convida Lula para conselho sobre Gaza, mas governo brasileiro vê riscos na iniciativa

Presidente dos EUA elogia papel do brasileiro, enquanto Planalto avalia que estrutura do grupo concentra poder excessivo em Washington.

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 18:01

Lula e Trump conversaram por telefone durante 40 minutos nesta terça e falaram sobre recuo no tarifaço imposto ao Brasil
Lula e Trump conversaram por telefone durante 40 minutos nesta terça e falaram sobre recuo no tarifaço imposto ao Brasil Crédito: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (20), que estendeu um convite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para integrar o Conselho da Paz de Gaza, iniciativa criada para discutir soluções políticas e econômicas para o conflito na região. Segundo o norte-americano, a expectativa é de que Lula tenha atuação relevante no grupo, declaração acompanhada de elogios pessoais ao chefe do Executivo brasileiro.

Apesar do aceno público, o convite não foi recebido com entusiasmo pelo governo brasileiro. De acordo com informações apuradas junto a fontes do Palácio do Planalto, há resistência em relação ao formato do conselho, especialmente pela concentração de decisões sob a liderança direta de Trump, o que, na avaliação interna, reduziria o caráter multilateral da proposta.

O colegiado é presidido pelo próprio Trump e reúne figuras próximas ao presidente dos EUA, como o enviado especial de política externa Steve Witkoff, o vice-conselheiro de segurança nacional Robert Gabriel e Jared Kushner, genro do republicano. Também integram o núcleo fundador o empresário Marc Rowan e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga. Além do Brasil, outros países receberam o convite, entre eles Argentina, Canadá, Paraguai, Turquia e Egito.

Nos bastidores diplomáticos, Lula deve tratar do tema com o presidente da França, Emmanuel Macron. O governo francês, inclusive, já sinalizou publicamente que não pretende aderir ao conselho, reforçando o clima de cautela entre líderes europeus quanto à iniciativa norte-americana.

Durante a mesma coletiva em que comentou o convite a Lula, Trump foi questionado sobre o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, firmado em 17 de janeiro. O presidente evitou entrar em detalhes e preferiu destacar o desempenho econômico dos Estados Unidos, atribuindo os resultados positivos à política tarifária adotada por sua gestão.

Segundo Trump, o país vive um momento de crescimento sem precedentes no comércio internacional, com maior segurança econômica e números considerados históricos. A fala, no entanto, não trouxe posicionamentos diretos sobre o impacto do acordo entre os blocos nem sobre eventuais desdobramentos nas relações comerciais globais.

Enquanto isso, o convite ao presidente brasileiro segue em análise, em meio a um cenário diplomático marcado por disputas de protagonismo e diferentes visões sobre a condução de negociações internacionais ligadas a conflitos sensíveis como o de Gaza.