Publicado em 1 de setembro de 2026 às 08:22
Um impasse sanitário com o mercado internacional acendeu o sinal de alerta no agronegócio brasileiro. A partir desta quinta-feira (3), os 27 países que compõem a União Europeia interrompem temporariamente a compra de carne bovina, aves, ovos e mel produzidos no Brasil. O bloqueio é desdobramento do descumprimento de regras sanitárias impostas pelo bloco econômico, que proibiu o uso de antibióticos como estimulantes de crescimento na pecuária e reservou certos medicamentos exclusivamente para a medicina humana para combater a resistência bacteriana, problema associado pela OMS a mais de 1 milhão de mortes anuais no mundo.>
O embargo atinge em cheio uma das rotas comerciais mais rentáveis do país, que somou cerca de R$ 4,3 bilhões (mais de € 713 milhões) apenas com a venda de 92 mil toneladas de carne bovina aos europeus em 2025. O aperto na fiscalização ocorre em um momento sensível para a diplomacia, logo após a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, sob forte pressão de produtores locais e do governo francês por critérios rígidos de controle. >
A expectativa é de que o mercado de aves e mel possa ser reaberto nas próximas semanas caso a auditoria técnica concluída nesta sexta-feira (4) traga parecer favorável, enquanto a liberação da carne bovina exigirá adequações mais complexas e demoradas ao longo do ciclo produtivo.>