Amapá e Alagoas concentram quase metade das presidências do Senado desde a redemocratização

O levantamento também destaca que São Paulo, estado mais populoso do país, com cerca de 44 milhões de habitantes, não teria elegido um senador para comandar a Casa desde 1985.

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 20:29

Congresso Nacional.
Congresso Nacional. Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Um levantamento divulgado pelo Economista Visual, com dados do Congresso em Foco, chama atenção para a distribuição das presidências do Senado Federal desde a redemocratização do Brasil.

Segundo o gráfico, Amapá e Alagoas, juntos, foram responsáveis por 10 das 23 vezes em que um senador de determinado estado comandou a Casa desde 1985. O Amapá aparece na liderança, com seis presidências, enquanto Alagoas soma quatro.

Outros estados também aparecem no levantamento. Ceará, Paraíba, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul tiveram, cada um, dois senadores ocupando a presidência do Senado no período analisado. Já Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Pará aparecem com uma ocorrência cada.

O dado chama atenção principalmente quando comparado ao tamanho populacional das unidades da Federação. São Paulo, estado mais populoso do país, não aparece entre os estados que elegeram presidentes do Senado desde 1985. O mesmo ocorre com os três estados da Região Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que, juntos, representam uma parcela significativa da população brasileira.

A explicação está no próprio sistema de representação do Senado. Diferentemente da Câmara dos Deputados, onde o número de parlamentares de cada estado é proporcional à população, cada unidade da Federação possui três senadores, independentemente do número de habitantes.

Além disso, a presidência do Senado é definida por votação entre os próprios senadores e envolve articulações partidárias, alianças e acordos políticos. Portanto, o tamanho da população de um estado não determina diretamente suas chances de ocupar o comando da Casa.

O levantamento questiona uma discussão sobre o modelo de representação política brasileiro e sobre o peso que estados menos populosos podem exercer nas decisões do Senado.

Os números apresentados no gráfico e analisados mostram uma concentração expressiva das presidências em alguns estados, mas não significam, por si só, irregularidade no processo. A escolha segue as regras de representação e votação estabelecidas para o Senado Federal.