Após postagem, TSE afirma que não foi dada nenhuma ordem para retirada de canais políticos no WhatsApp

De acordo com o comunicado, deduções baseadas em despachos da corte são indevidos.

Publicado em 23 de outubro de 2026 às 15:25

Deputado federal André Janones (Rede-MG).
Deputado federal André Janones (Rede-MG). Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Por Rui Guilherme Filho - Belém (PA)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou um comunicado na tarde desta sexta-feira (23) negando que determinou a retirada do ar de canais de WhatsApp ligados a mobilizações de candidatos a presidente da República. O documento é uma resposta à postagem feita pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), administrador do canal “Exército do Lula”, onde afirmou que o canal sairia do ar horas antes do último debate, que será realizado pela TV Globo, também nesta sexta.

De acordo com o comunicado, os prazos nos processos de propaganda eleitoral são sempre curtos e que os despachos mencionados apenas solicitam informações às plataformas. E ainda criticou que “ilações”, um termo técnico que significa “deduções” ou “conclusões” de determinações dos despachos do tribunal são indevidos:

O TSE não determinou a retirada de nenhum canal de WhatsApp do ar. Os prazos dos processos de propaganda são sempre curtos. Ilações a partir desses despachos que pedem informação em tempo curto são absolutamente indevidos.

Comunicado do TSE

divulgado nesta sexta-feira

Ainda de acordo com a nota do tribunal, os ministros responsáveis pela propaganda eleitoral e o presidente, ministro Kassio Nunes Marques, reuniram-se na manhã desta sexta com representantes de Meta, X, Google, TikTok e Kwai para discutir medidas destinadas ao cumprimento da legislação eleitoral:

O ministro Kassio Nunes Marques pediu reforço de pessoal e atuação isonômica por parte das plataformas a fim de garantir o cumprimento do plano de conformidade assinado por todas as empresas

Comunicado do TSE

divulgado nesta sexta-feira

Na tarde da última quinta-feira (22), Nunes Marques deu 24 horas para que as plataformas apresentassem dados sobre o “Exército de Lula”, após ser solicitada pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A motivação dada pela campanha bolsonarista, o canal estaria orientando apoiadores a divulgar hashtags em horários determinados, reproduzir mensagens prontas e realizar buscas coordenadas no Google, como o caso de uma ordem de Janones, que mandou seus seguidores a levantar na plataforma de buscas a frase “Bolsonaro mandou matar Lula”.

Outro questionamento da campanha de Flávio foi uma resposta da Meta, que afirmou não ter identificado sinais de comportamento coordenado no WhatsApp. Segundo os advogados, a empresa não explicou quais critérios utilizou para chegar a essa conclusão.