Após Toffoli suspender campanha, Renan Santos usa foto com 'censurado' em protesto

Candidato do partido Missão classifica suspensão de campanha digital como "persecutória", nega irregularidades e anuncia recurso ao plenário do TSE

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 18:54

Renan Santos (Missão) alterou sua foto de perfil nas redes sociais em sinal de protesto. 
Renan Santos (Missão) alterou sua foto de perfil nas redes sociais em sinal de protesto.  Crédito: Reprodução/Instagram @renansantosmbl

Após a decisão do ministro Dias Toffoli de suspender sua campanha à Presidência da República por supostas irregularidades, o candidato Renan Santos (Missão) alterou sua foto de perfil nas redes sociais em sinal de protesto. O político passou a exibir uma imagem em preto e branco com uma tarja vermelha sobre o rosto contendo a palavra "censurado".

Em posicionamento oficial enviado à imprensa, o candidato criticou duramente a decisão do ministro. Em vídeo, Renan Santos classificou a determinação judicial como "ilegal" e "persecutória". Sem apresentar provas, o candidato associou a suspensão da sua campanha a uma suposta retaliação por ter organizado, ao longo do último ano, quatro manifestações públicas de protesto contra o ministro Dias Toffoli.

Segundo Renan, os atos nas ruas de São Paulo cobravam explicações sobre denúncias que envolveriam o ministro e o empresário Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. "O nome do Dias Toffoli foi mencionado e cartazes foram feitos todas essas vezes. Eu tô pagando o preço por ter defendido o que eu defendi", afirmou o candidato.

Renan Santos também rejeitou a tese de que cometeu irregularidades graves ou abuso de poder econômico no registro de suas redes sociais. A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) baseou-se no fato de a chapa ter omitido 16 páginas e perfis de internet no momento do registro da candidatura, incluindo uma conta com 2,4 milhões de seguidores.

O candidato argumentou que os endereços virtuais foram informados posteriormente às autoridades e que a omissão inicial decorreu de um "problema técnico" no sistema do próprio tribunal, situação que, segundo ele, também afetou centenas de outros candidatos. "Falar que minhas redes foram suspensas porque eu estou abusando do poder econômico por conta de um problema técnico (...) chega a ser absurdo", declarou.

A decisão liminar de Toffoli determinou um prazo de seis horas para que as plataformas de redes sociais efetuem a suspensão das contas do candidato, além de 24 horas para que as empresas forneçam dados detalhados sobre as postagens realizadas nos perfis.

A defesa jurídica de Renan Santos, liderada pelo advogado Arthur Rollo, especialista em direito eleitoral, confirmou que vai recorrer da decisão. Os advogados classificaram a suspensão como ilegal e pretendem protocolar um mandado de segurança ainda nesta segunda-feira (31), com a expectativa de que o plenário do TSE possa julgar o recurso já nesta terça-feira.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Ana Cássia Sousa.