Banco Master declarou R$ 59 milhões em pagamentos a políticos e ex-autoridades; veja valores

Documentos da Receita detalham repasses milionários a ex-presidente, ex-ministros e dirigentes partidários

Publicado em 8 de abril de 2026 às 17:20

Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro Crédito: Divulgação/Banco Master

Documentos da Receita Federal apontam que o Banco Master declarou ao menos R$ 59,03 milhões em pagamentos a políticos, ex-ministros, dirigentes partidários e um ex-presidente entre 2022 e 2025. A instituição é ligada ao empresário Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de fraude.

Entre os principais repasses está o do ex-presidente Michel Temer, cujo escritório de advocacia aparece com pagamento de R$ 10 milhões em 2025, relacionado a serviços de mediação e consultoria. O próprio ex-presidente afirma que o valor recebido foi de R$ 7,5 milhões.

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega recebeu R$ 14 milhões por meio de empresa de consultoria, sendo R$ 6 milhões em 2024 e R$ 8 milhões em 2025.

Já o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski teve registros de R$ 5,93 milhões entre 2023 e 2025, divididos em R$ 530 mil (2023), R$ 3,1 milhões (2024) e R$ 2,3 milhões (2025).

O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles recebeu R$ 8,6 milhões em 2025 por serviços de consultoria econômica.

Outros nomes e valores

A lista inclui ainda o ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten, cuja empresa recebeu R$ 3,8 milhões, e o ex-ministro Ronaldo Bento, com R$ 6,2 milhões por meio de sua firma.

O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, aparece com R$ 2,1 milhões — sendo R$ 1,1 milhão em 2024 e R$ 1 milhão em 2025.

Também há registros de pagamento de R$ 5,4 milhões a empresa ligada ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, entre 2023 e 2025.

Além disso, documentos apontam repasse de R$ 3 milhões, em 2022, à empresa Gralha Azul Empreendimentos, vinculada ao grupo do apresentador Ratinho.

Contexto

Segundo os envolvidos, os valores referem-se a serviços técnicos, como consultorias, pareceres jurídicos e mediações, todos formalizados e declarados.

Os dados fazem parte de investigações em andamento e levantam questionamentos sobre a relação entre o banco e figuras influentes da política nacional.