Centrão: PP e União Brasil admitem liberar base e ficar fora da disputa presidencial

Avaliação interna é de que Flávio entraria na disputa apenas para marcar posição e preservar o legado político do pai.

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 18:27

Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União)
Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União) Crédito: Divulgação 

Os dois principais partidos de centro do país, PP e União Brasil, já admitem a possibilidade de não declarar apoio a nenhum candidato na eleição presidencial deste ano. A estratégia, nesse caso, seria liberar seus filiados para apoiar tanto o presidente Lula (PT) quanto Flávio Bolsonaro (PL).

Para que haja um apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro, porém, dirigentes das duas siglas impõem uma condição: que ele se consolide como um nome da centro-direita, e não da extrema direita. Caso contrário, a avaliação interna é de que Flávio entraria na disputa apenas para marcar posição e preservar o legado político do pai.

Lideranças de PP e União Brasil afirmam não considerar o apoio a outros nomes e já trabalham com a hipótese de permanecer neutras no primeiro turno.

Esse cenário tende a favorecer Lula, já que a federação PP–União dispõe de forte estrutura política, incluindo tempo expressivo de televisão, cerca de R$ 1 bilhão em recursos dos fundos partidário e eleitoral, além de uma ampla rede de cabos eleitorais formada majoritariamente por prefeitos, governadores, deputados e vereadores — estrutura que poderia ser decisiva para impulsionar uma candidatura de Flávio Bolsonaro.

A possível retirada dos dois principais partidos do chamado “Centrão” das articulações eleitorais ocorre após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) descartar apoio a uma eventual candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).