Publicado em 14 de outubro de 2026 às 16:36
O sistema eleitoral brasileiro é 100 por cento informatizado desde o ano 2000 e é considerado uma referência mundial, tanto pela confiabilidade do sistema como pela agilidade para apontar os resultados. Mas, em um país de dimensões continentais e com realidades regionais muito diferentes, garantir o direito de voto em regiões remotas representa um grande desafio logístico.>
A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo. Superar as enormes distâncias e a infra-estrutura limitada exige um planejamento complexo por parte dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) dos 9 estados da Amazônia Legal. Segundo dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE, cerca de 3 milhões de amazônidas vivem em aglomerados rurais e localidades isoladas.>
Estado incorpora recursos eletrônicos>
No Pará, estado mais populoso da região, além das cidades, há eleitores em 58 aldeias indígenas, 95 comunidades quilombolas, 944 localidades ribeirinhas e em 2.480 áreas rurais. Mais de 100 mil pessoas, entre servidores, funcionários terceirizados e mesários foram mobilizados para atender 6,3 milhões de eleitores nos 144 municípios do estado. Este ano, pela primeira vez, a apuração em todo o estado foi realizada por meio de satélites de baixa órbita da Starlink.>
“Fazer eleições no Pará é um desafio, por conta dos locais de difícil acesso, mas conseguimos entregar as urnas em todos eles e tivemos um resultado com agilidade. Tivemos muito êxito no uso dos satélites de baixa órbita nessas eleições”, destaca o desembargador José Maria Teixeira do Rosário, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Pará.>
A Secretaria de Tecnologia da Informação do TRE do Pará utilizou 400 terminais da Starlink em todo o estado e não houve falhas no serviço. Segundo a Secretaria, a experiência demonstra “a viabilidade do uso dessa tecnologia, com melhor desempenho quando comparado com o BGAN (Broadband Global Area Network), utilizado em eleições passadas”.>
Longas distâncias>
Um exemplo da complexidade da operação no Pará, é a cidade de Santarém. Alguns locais de votação ficam a 160 km da sede do município. O Lago Grande é uma destas localidades remotas, onde vivem cerca de 25 mil eleitores. As equipes designadas para a região saíram de Santarém dois dias antes da eleição.>
Os técnicos eleitorais contratados pelo TRE passaram 24 horas em deslocamento, de barco, carro, moto e até de cavalo para chegar a todas as 57 comunidades ribeirinhas. Além das urnas eletrônicas, a equipe técnica contou com 17 kits de internet via satélite e power banks (baterias externas) para ligar os equipamentos.>
“O sistema antigo de internet por satélite é muito lento, não comporta a transmissão dos nossos dados. Fizemos uma votação 100% eletrônica, uma apuração 100% eletrônica, sem intercorrências”, explica Márcio Mendonça, Chefe de cartório da 20ª zona eleitoral de Santarém, que incluí as zonas eleitorais de Lago Grande. “Terminamos a apuração por volta das 20h30 no primeiro turno. Acredito que no segundo turno vamos concluir o trabalho antes das 19h”, avalia.>
Agilidade com segurança>
Além da agilidade no processo, a eleição eletrônica brasileira passa por constantes aprimoramentos para prevenir fraudes. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o sistema foi estruturado para garantir que nenhum cidadão regular fique sem votar, mantendo barreiras de segurança mesmo quando a tecnologia digital não pode ser aplicada. Antes que a urna eletrônica seja liberada para o voto, a mesa receptora realiza uma triagem em etapas no terminal do mesário: o sistema combina checagem documental, foto na tela do mesário e recursos para rastrear as ocorrências do não reconhecimento da digital do eleitor.>