Publicado em 28 de maio de 2026 às 10:28
Na noite desta quarta-feira (27), a Câmara dos Deputados foi palco de um debate acalorado que terminou com a fusão de propostas para reduzir a jornada de trabalho no país. O clima esquentou de vez quando o deputado cearense André Fernandes e a deputada Erika Hilton trocaram farpas pesadas no plenário, revelando o tamanho da tensão por trás de um tema que mexe diretamente com a rotina de milhões de cidadãos: o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso.>
O estopim da discussão foi a costura política feita para unificar os projetos de lei. A proposta original de Erika Hilton previa um modelo mais radical, de quatro dias de trabalho por três de descanso. No entanto, para conseguir viabilizar a votação e obter consenso, o texto foi modificado para o modelo de cinco dias trabalhados e dois de folga, incluindo ainda um prazo de transição de um ano para que as empresas se adaptem.>
Ao microfone, André Fernandes usou um tom de ironia para criticar a mudança, direcionando seus ataques à autora do projeto. O parlamentar deixou sua solidariedade à deputada e questionou o que teria acontecido, indagando se seria violência política de gênero e afirmando textualmente que o governo a humilhou ao substituir o modelo de escala.>
A resposta de Erika Hilton veio de forma imediata e contundente no plenário, resgatando o passado do parlamentar como criador de conteúdo digital antes de entrar para a política. A deputada rebateu as provocações afirmando que humilhante, na verdade, era se tornar deputado ensinando na internet a fazer depilação íntima.>
O nível do debate continuou tenso e o deputado subiu ainda mais o tom contra os parlamentares de esquerda, chamando-os de vagabundos e hipócritas por aceitarem o modelo de cinco dias de trabalho por dois de descanso e as regras de transição. André Fernandes se posicionou totalmente contrário à proposta de redução da jornada.>
Erika Hilton não deixou barato e justificou a estratégia por trás do recuo de sua bancada, contextualizando o embate. Segundo a deputada, se hoje eles estão lutando pelo modelo de cinco por dois, é porque a oposição obstruiu e impediu a votação da proposta anterior. Ela completou dizendo que os adversários levaram uma lambada da classe trabalhadora e da sociedade, e que agora faziam apenas um teatro no plenário.>
Para além das ofensas pessoais, a sessão consolidou uma virada de postura de parte da oposição. Até então, os partidos de direita vinham barrando e se posicionando totalmente contra qualquer redução de jornada. Contudo, percebendo o forte apoio popular à causa, alguns parlamentares mudaram a tática e passaram a defender que as novas regras entrem em vigor de forma imediata, com o objetivo de tentar provar, na prática, que a redução de dias trabalhados trará prejuízos econômicos ao país.>