Ex-ministros cobram do STF investigação rigorosa sobre grave crise no tribunal

Treze magistrados aposentados pedem ao presidente da Corte, que convoque uma sessão pública para apurar fatos que estariam abalando a confiança e a estabilidade democrática.

Publicado em 8 de setembro de 2026 às 07:54

Ministro Edson Fachin.
Ministro Edson Fachin. Crédito: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O Supremo Tribunal Federal enfrenta o que está sendo apontado por ex-integrantes da própria Corte como o momento mais delicado de sua trajetória. Um grupo formado por 13 ministros aposentados e ex-presidentes do STF encaminhou uma manifestação oficial ao atual presidente do tribunal, Edson Fachin, exigindo a convocação urgente de uma sessão plenária aberta ao público para investigar a fundo os episódios recentes que têm gerado desgaste à instituição.

O documento foi divulgado nesta segunda-feira (7) e leva assinaturas de pesos-pesados da história recente do Judiciário brasileiro, como Celso de Mello, Rosa Weber, Joaquim Barbosa, Ellen Gracie e Nelson Jobim. Na avaliação dos signatários, a repercussão dos últimos acontecimentos tem comprometido não apenas a autoridade do tribunal, mas também a crença da sociedade na Justiça e a própria estabilidade das instituições democráticas do país.

Mesmo diante da gravidade do alerta, a carta mantém um tom institucional e não aponta nomes de ministros específicos, tampouco menciona quais casos exatos estariam sob escrutínio, deixando de fora qualquer pedido de afastamento de magistrados. O foco central do grupo é garantir que o plenário assuma a condução de uma apuração rigorosa e transparente, estritamente baseada no devido processo legal.

Em declarações complementares sobre o manifesto, o ex-ministro Celso de Mello reforçou a necessidade de total transparência e combate à impunidade, pontuando que nenhuma autoridade do país está acima das leis ou pode se esconder atrás do cargo para fugir do controle público. Para ele, a justiça em uma democracia precisa acontecer às claras, uma vez que o sigilo sem justificativa apenas alimenta a desconfiança da população e enfraquece a credibilidade do Poder Judiciário.

Abaixo, os nomes dos treze magistrados que assinam o documento entregue a Fachin:

- Néri da Silveira

- Francisco Rezek

- Sydney Sanches

- Celso de Mello

- Carlos Velloso

- Ilmar Galvão

- Nelson Jobim

- Ellen Gracie

- Cezar Peluso

- Ayres Britto

- Joaquim Barbosa

- Eros Grau

- Rosa Weber