Ex-prefeito de Ananindeua é alvo de nova pressão após denúncia sobre hospital infantil inacabado

Secretário de Saúde do Pará afirma que ex-prefeito recebeu mais de R$ 15 milhões para obra do Hospital Infantil Dr. Celso Leão, pediu seis prorrogações e não entregou a unidade

Publicado em 8 de julho de 2026 às 22:56

Local onde seria construído o Hospital Infantil Dr. Celso Leão.
Local onde seria construído o Hospital Infantil Dr. Celso Leão. Crédito: Reprodução/Google Maps

O ex-prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, voltou ao centro de uma nova polêmica após a divulgação de informações sobre a obra do Hospital Infantil Dr. Celso Leão, prometido para ampliar o atendimento pediátrico no município. Segundo o secretário de Estado de Saúde do Pará, Ualame Machado, o Governo do Estado repassou mais de R$ 15 milhões para a construção e ampliação da unidade, mas o hospital não foi entregue dentro do prazo e o convênio acabou encerrado.

A controvérsia ganhou força após Ualame publicar um vídeo e um texto nas redes sociais acusando Daniel Santos de distorcer os fatos ao afirmar que o Estado teria ido à Justiça para impedir a inauguração do hospital. De acordo com o secretário, o convênio firmado em 2020 previa inicialmente o repasse de R$ 10 milhões para a obra, valor que depois foi ampliado em R$ 5 milhões, totalizando mais de R$ 15 milhões investidos pelo Estado no projeto.

Segundo a cronologia apresentada por Ualame, a obra deveria ter sido concluída em abril de 2021, mas a gestão municipal pediu sucessivas prorrogações de prazo. Ao todo, foram seis extensões aceitas pelo Governo do Pará. Ainda de acordo com o secretário, o último prazo venceu em março de 2025, sem que a Prefeitura de Ananindeua solicitasse nova renovação.

“Em agosto de 2020, o governo do Pará fez um convênio de R$ 10 milhões com a Prefeitura de Ananindeua para construção do Hospital Infantil Dr. Celso Leão. A previsão de entrega era abril de 2021. De lá para cá, o prefeito Daniel Santos pediu sucessivas prorrogações, além de um acréscimo de R$ 5 milhões no contrato. O governo aceitou todos os pedidos, até porque os recursos já haviam sido depositados integralmente. O problema é que, quando o último prazo venceu, em março de 2025, a prefeitura não pediu nova prorrogação e também não respondeu aos alertas enviados pelo Estado sobre o encerramento do convênio”, afirmou o secretário.

Com o vencimento do prazo e sem manifestação da prefeitura, o convênio foi encerrado administrativamente. A partir daí, segundo o governo estadual, a gestão municipal recorreu à Justiça para não devolver os valores repassados ao município. A judicialização do caso passou a ser um dos principais pontos de atrito entre aliados do ex-prefeito e o governo estadual.

Na publicação, Ualame também criticou o fato de Daniel Santos ter participado recentemente da inauguração de um ambulatório no local onde deveria funcionar o hospital infantil completo. Para o secretário, o espaço entregue está longe da estrutura inicialmente prometida à população de Ananindeua.

“Esses são os fatos documentados, exatamente o oposto da história contada por Daniel Santos. Ele gravou um vídeo enquanto inaugurava um pequeno ambulatório no local em que deveria existir um hospital. Não tem internação, não funciona 24 horas e o entorno ainda está cercado por entulhos da obra inacabada”, declarou.

A obra do Hospital Infantil Dr. Celso Leão vinha sendo tratada como uma das principais promessas da gestão de Daniel Santos na área da saúde, justamente por Ananindeua não contar com uma unidade municipal infantil de maior porte.

Até o momento, Daniel Santos não havia se manifestado publicamente sobre as declarações. O espaço segue aberto para posicionamento do ex-prefeito. A redação do Roma News entrou em contato com a Prefeitura de Ananindeua e aguardamos posicionamento da gestão municipal.