Fim da escala 6x1 ganha força no Senado e muda rumos da oposição

Governo articula votação relâmpago nesta quarta-feira para aprovar a PEC em dois turnos no mesmo dia.

Publicado em 14 de outubro de 2026 às 07:27

Fim da escala 6x1 ganha força no Senado e muda rumos da oposição
Fim da escala 6x1 ganha força no Senado e muda rumos da oposição Crédito: Kayo Magalhães/Agência Brasil

O Senado Federal realiza nesta quarta-feira (14) o desfecho das discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que sepulta a tradicional escala de trabalho 6x1. Com o apoio popular nas ruas pressionando os parlamentares, o cenário político virou de cabeça para baixo: até mesmo a oposição, que antes tentava barrar ou empurrar o tema para depois das eleições, mudou o discurso e agora sinaliza voto favorável para evitar o isolamento político perante os trabalhadores.

A expectativa nos bastidores é de que o texto seja votado em primeiro turno ainda hoje, marcando a quinta e última sessão de debates sobre o tema. Normalmente, a Constituição exige um intervalo de três sessões o chamado interstício entre o primeiro e o segundo turno de votação de uma PEC.

No entanto, o Palácio do Planalto e a base governista não querem esperar. A líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), apresentou um pedido de calendário especial para derrubar esse prazo e permitir que o segundo turno aconteça logo na sequência. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), confirmou que há assinaturas suficientes para aprovar o requerimento em plenário. A redução da jornada é uma das principais bandeiras do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Até pouco tempo atrás, a estratégia do PL e de outros partidos contrários era clara: obstruir as sessões para adiar a votação ou tentar emplacar emendas que alterassem o projeto, o que obrigaria o texto a voltar para a Câmara dos Deputados e atrasaria a promulgação.

Porém, o cálculo político mudou radicalmente. Aliados da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliaram que votar contra a pauta de redução da jornada poderia ser um tiro no pé eleitoralmente. Com as redes sociais atentas e uma forte onda de mobilização popular, tornou-se difícil justificar a oposição aos olhos do eleitor comum. A avaliação interna é de que o projeto tem votos suficientes para passar de qualquer maneira, o que levou o partido a flexibilizar a orientação da bancada para evitar desgastes nas bases.

O próprio Flávio Bolsonaro ajustou o tom na terça-feira (13), afirmando que votará a favor da proposta para acompanhar a vontade da maioria dos trabalhadores, embora tenha feito ressalvas e críticas econômicas ao projeto. Antes disso, a oposição tentava empurrar uma alternativa defendida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que apostava no pagamento por hora trabalhada e abria brechas para redução salarial, proposta que perdeu força diante da pressão das ruas.

Para o presidente Lula, a guinada da oposição é fruto direto da pressão exercida pela sociedade e pelas manifestações que tomaram conta do país durante o período eleitoral. Ao comentar a mudança de postura do PL, o chefe do Executivo celebrou o avanço da pauta e minimizou as críticas da oposição sobre os impactos econômicos da medida, reforçando que o foco principal é atender aos interesses de quem vive do próprio trabalho.