Justiça Eleitoral registra 406 candidaturas autodeclaradas LGBTQIA+ para as eleições de 2026

Pela primeira vez, o TSE coletou dados sobre orientação sexual em um pleito geral

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 16:17

Dado consolidado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que este grupo compõe 2% do total de 20.575 concorrentes ao pleito.
Dado consolidado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que este grupo compõe 2% do total de 20.575 concorrentes ao pleito. Crédito: Edson Lopes Jr/Prefeitura de São Paulo 

As eleições de 2026 marcam um momento histórico na representatividade política brasileira com o registro de 406 candidaturas autodeclaradas LGBTQIA+. O dado, consolidado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o fim do prazo de registros no último sábado (15), revela que este grupo compõe 2% do total de 20.575 concorrentes ao pleito.

Esta é a primeira vez que a Justiça Eleitoral solicita informações sobre orientação sexual e identidade de gênero em uma eleição geral. Entre os candidatos registrados, 11.334 forneceram a informação, enquanto um contingente expressivo de 9.241 pessoas (45%) preferiu não declarar o dado ao TSE. Do total que respondeu, 10.928 (96,4%) se identificaram como heterossexuais.

O levantamento aponta que as candidaturas LGBTQIA+ estão fortemente concentradas em partidos de esquerda, especialmente no PT e no PSOL. O PT reúne o maior número de candidatos que se declararam gays ou lésbicas (40 ao todo), seguido de perto pelo PSOL (39). No recorte de candidatos bissexuais, o PSOL lidera com 34% dos 150 registros desta categoria. Partidos de direita e centro-direita também registram nomes, embora em menor escala, como o MDB (15), o Avante (11) e o PL (5).

A maioria desses postulantes disputa vagas para deputado estadual e federal. Entre os que se declararam gays, 92,53% concorrem a uma destas duas posições. Já entre os bissexuais, o cenário é semelhante, com o grupo focado nas assembleias estaduais e na Câmara dos Deputados. Há ainda registros de candidatos assexuais (10) e outras identidades representadas na sigla.

Embora os 2% de candidatos LGBTQIA+ ainda estejam distantes dos 12% da população brasileira que se identifica com a sigla — segundo estimativa da USP/Unesco com base em dados do IBGE —, lideranças do movimento celebram o resultado como um marco de progresso. Gui Mohallem, presidente da organização Vote LGBT, destaca que o cenário mudou drasticamente na última década.

"Em 2014, se declarar era considerado suicídio político. Conseguir identificar centenas de pessoas assumindo oficialmente suas identidades ao TSE é um avanço que precisamos comemorar", afirma Mohallem. O crescimento acompanha a tendência observada nas eleições municipais de 2024, quando 233 candidatos LGBTQIA+ foram eleitos, um aumento de 100% em relação aos pleitos anteriores.

Apesar do registro, as candidaturas ainda passarão por julgamento da Justiça Eleitoral até o dia 14 de setembro para garantir que cumprem todos os requisitos legais. O perfil geral de todos os candidatos em 2026 segue sendo predominantemente masculino (65%), branco, casado e com ensino superior.

Com informações do g1.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.