Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 07:42
A Corte de Apelação de Roma analisa, nesta quarta-feira (11), o pedido formal do governo brasileiro para que a ex-deputada federal Carla Zambeli seja entregue às autoridades do Brasil. A parlamentar está custodiada na penitenciária feminina de Rebibbia, na capital italiana, desde junho de 2025.
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O julgamento ocorre após uma sequência de quatro adiamentos e em meio à expectativa de que a decisão possa determinar o retorno da ex-parlamentar ao país de origem. Interlocutores da defesa admitem que o cenário é desfavorável e já indicaram que recorrerão caso a extradição seja autorizada.>
Na véspera da análise, o mesmo tribunal rejeitou uma tentativa dos advogados de substituir os magistrados responsáveis pelo caso. A defesa alegou suposta falta de imparcialidade dos juízes, argumento que não foi acolhido pela Corte.>
Carla Zambelli responde a duas condenações definitivas no Brasil, ambas já encerradas do ponto de vista recursal. Em um dos processos, foi sentenciada a 10 anos e 8 meses de prisão sob acusação de ser mentora da invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em outro, recebeu pena de 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, episódio relacionado à perseguição armada a um homem nas ruas de São Paulo, às vésperas das eleições de 2022.>
Após a condenação ligada ao caso do CNJ, Zambelli deixou o Brasil e se estabeleceu na Itália. A saída do país motivou a Procuradoria-Geral da República a solicitar sua prisão preventiva. O pedido foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou a inclusão do nome da ex-deputada na difusão vermelha da Interpol — mecanismo internacional para localização de foragidos.>
A prisão ocorreu em 29 de julho, em um apartamento na cidade de Roma. Ao justificar a medida, a Justiça italiana apontou risco concreto de fuga.>
Enquanto a extradição é analisada no exterior, no Brasil o caso também teve repercussões no âmbito político. Em dezembro de 2025, o STF anulou uma votação da Câmara dos Deputados que havia barrado a cassação do mandato da parlamentar. Antes que o novo desfecho fosse formalizado, Zambelli apresentou renúncia ao cargo.>