Nunes Marques cobra relatório da Meta sobre o canal 'Exército do Lula'

Presidente do TSE atendeu a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro

Publicado em 22 de outubro de 2026 às 16:52

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou que a empresa Meta apresente, no prazo de 24 horas, um relatório técnico detalhado com dados sobre o funcionamento do canal "Exército de Lula" no WhatsApp. A medida atende a uma solicitação apresentada pela campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que busca checar o cumprimento do plano de conformidade assinado pela plataforma com a Justiça Eleitoral para prevenir e mitigar riscos à integridade do pleito.

Na mesma decisão, o ministro também cobrou esclarecimentos do Google sobre a eventual identificação de amplificação coordenada de termos e hashtags em buscas em alta, sugestões de pesquisa e assuntos do momento entre os dias 18 e 20 de outubro de 2026. Segundo Nunes Marques, o objetivo central da auditoria é verificar o confronto entre as medidas formais informadas à Justiça Eleitoral e o funcionamento prático dos mecanismos questionados.

A determinação estabelece que o relatório apresentado pela empresa detentora do WhatsApp deve abranger uma série de verificações técnicas: Checagem de replicação de mensagens e atuação articulada entre contas, canais e plataformas; Análise de padrões de compartilhamento, alcance e eventual amplificação artificial de publicações; Mapeamento de mensagens encaminhadas, bem como de conteúdos excluídos ou modificados; Verificação da existência de publicidade paga, impulsionamento e distribuição patrocinada; Avaliação sobre a aplicação efetiva das medidas de integridade e respostas fundamentadas a todos os pedidos do processo.

Além disso, a Meta terá de explicar à Corte Eleitoral quais critérios técnicos utiliza para diferenciar uma "mobilização legítima" de um "comportamento coordenado potencialmente irregular" em suas ferramentas.

O canal "Exército do Lula" é centro de um impasse judicial na Corte Eleitoral após a campanha de Flávio Bolsonaro apontar a suposta divulgação de informações falsas na ferramenta. Em 11 de outubro, Nunes Marques chegou a ordenar a suspensão do grupo. No entanto, no mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, reabilitou a página por meio de decisão liminar. Uma análise técnica posterior do TSE não identificou conteúdos falsos entre as publicações examinadas.

Em 13 de outubro, Nunes Marques condicionou a manutenção do canal ao seu registro formal, exigência que foi cumprida pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao registrar o endereço eletrônico na Justiça Eleitoral. Após um novo bloqueio temporário na mesma noite, Nunes Marques determinou, em 14 de outubro, o restabelecimento integral da ferramenta, liberando novas postagens e a entrada de seguidores.

A nova cobrança do TSE coincide com o anúncio de que o próprio presidente Lula passou a integrar o canal. O deputado federal André Janones (Rede-MG), administrador do grupo, informou aos participantes que o contato do presidente foi incluído na administração da ferramenta sob a identificação "Marechal Lula da Silva", permitindo o envio direto de orientações.

Na ocasião, foi publicado um vídeo no qual Lula convidou os integrantes do canal para uma transmissão ao vivo e convocou a militância para a reta final da campanha. A defesa de Lula pontuou ao tribunal que o registro do canal foi feito estritamente para cumprir a determinação judicial, sem significar que a campanha tenha assumido originalmente a criação da página.