Onda conservadora redesenha o mapa político e desafia hegemonia do Planalto

Com avanço expressivo do PL no Senado e vitória simbólica em colégios eleitorais decisivos, cenário político passa por uma reviravolta histórica no primeiro turno.

Publicado em 5 de outubro de 2026 às 09:04

Onda conservadora redesenha o mapa político e desafia hegemonia do Planalto
Onda conservadora redesenha o mapa político e desafia hegemonia do Planalto Crédito: Roberto Stuckert Filho/PR

Onda conservadora redesenha o mapa político e desafia hegemonia do Planalto

Com avanço expressivo do PL no Senado e vitória simbólica em colégios eleitorais decisivos, cenário político passa por uma reviravolta histórica no primeiro turno.

Onda conservadora redesenha o mapa político e desafia hegemonia do Planalto

Com avanço expressivo do PL no Senado e vitória simbólica em colégios eleitorais decisivos, cenário político passa por uma reviravolta histórica no primeiro turno.

O tabuleiro político brasileiro amanheceu completamente transformado após o primeiro turno das eleições deste domingo (4). Em uma disputa que surpreendeu analistas e redefiniu as forças no Congresso, o cenário nacional registrou um dos momentos mais desafiadores para a base governista dos últimos anos, impulsionado pelo crescimento expressivo da oposição de direita e por mudanças profundas na composição do Senado Federal.

O desempenho nas urnas colocou em evidência um novo arranjo de forças. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) alcançou a marca de 56,1 milhões de votos válidos (47%), superando o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registrou 53,9 milhões de votos (45,2%).

Para o chefe do Executivo, o índice representou a votação mais baixa em termos percentuais em um primeiro turno desde 1998, quando disputou o pleito contra Fernando Henrique Cardoso. O recuo na base de apoio também se fez sentir na perda de cerca de 3,4 milhões de eleitores em comparação com o pleito de 2022, além de derrotas em estados historicamente estratégicos para a corrida presidencial, como Minas Gerais, tradicional termômetro nacional desde 1989.

Enquanto a esquerda buscou reorganizar suas apostas, a direita, capitaneada pelo PL, expandiu sua capilaridade e redesenhou o peso dos partidos no Senado Federal. A legenda liberal garantiu 19 novas cadeiras, somando-se a outros nove parlamentares já em exercício, o que projeta uma bancada de 28 senadores a partir de 2027.

Contando com aliados do partido Novo, que elegeu três nomes, incluindo figuras que apoiaram a chapa oposicionista logo na primeira etapa, a bancada alinhada ao bolsonarismo deve alcançar 31 parlamentares, representando quase 40% do plenário da Casa.

O movimento ocorreu sobretudo à custa do recuo de legendas do Centrão, a exemplo do PSD, que cedeu nove assentos, e de siglas de esquerda como o PSB, que reduziu sua representação de sete para três parlamentares.

O fôlego do grupo político também se refletiu nas disputas pelos governos estaduais. O Partido Liberal, que atualmente governa apenas Santa Catarina com Jorginho Mello, projeta administrar pelo menos cinco estados a partir do próximo ano, incluindo Paraná (com Sergio Moro), Rondônia (Marcos Rogério), Roraima (Arthur Henrique) e Rio Grande do Sul (Zucco), além de contar com nomes disputando o segundo turno, como Douglas Ruas no Rio de Janeiro.

No cenário fluminense, tradicional reduto da família Bolsonaro desde 2018, Ruas liderou a disputa com 49,3% dos votos válidos e ajudou a consolidar a força regional da legenda, que também garantiu duas vagas cariocas no Senado com Carlos Portinho e Carlos Jordy.