Operação contra Ciro Nogueira esvazia tentativa de delação de ex-banqueiro

Com o avanço das investigações sobre figuras influentes, o dono do Banco Master perde força para negociar um acordo de colaboração com a justiça

Publicado em 7 de maio de 2026 às 16:48

Com o avanço das investigações sobre figuras influentes, o dono do Banco Master perde força para negociar um acordo de colaboração com a justiça
Com o avanço das investigações sobre figuras influentes, o dono do Banco Master perde força para negociar um acordo de colaboração com a justiça Crédito: Reprodução 

Nesta quinta-feira (7), a quinta fase da Operação Compliance Zero, colocou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no centro das atenções e mudou os rumos das investigações sobre o Banco Master. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, sinaliza que a Polícia Federal já possui provas sólidas o suficiente obtidas através de celulares apreendidos.

Esse cenário reduz drasticamente o poder de negociação de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, que tentava fechar um acordo de delação premiada em troca de benefícios judiciais.

O cerco se fecha

Para que uma delação seja aceita, o investigado precisa trazer informações inéditas e provas que a polícia ainda não tenha. No entanto, os investigadores avaliam que o conteúdo extraído dos aparelhos de Vorcaro e de outros envolvidos já desenha com clareza o esquema de fraude e a rede de proteção criada entre o banco e autoridades.

O próprio ministro André Mendonça já havia demonstrado desconforto com a estratégia da defesa do banqueiro, suspeitando de uma entrega seletiva de informações. Com os novos dados em mãos, a necessidade de "ouvir o que o banqueiro tem a dizer" se tornou bem menor.

As suspeitas sobre o senador

Ciro Nogueira, um dos nomes mais fortes do chamado "Centrão" e ex-ministro da Casa Civil, é suspeito de ter recebido vantagens indevidas para beneficiar o Banco Master. Segundo o relatório da PF enviado ao Supremo, o senador teria atuado politicamente para tentar aumentar o limite de proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, uma medida que favoreceria diretamente os negócios de Vorcaro.

Além da atuação legislativa, a polícia aponta que o parlamentar teria recebido benefícios financeiros frequentes, como:

Pagamentos mensais em dinheiro.

Facilidades na compra de ações de empresas.

Custeio de despesas pessoais e uso de bens de luxo.

Próximos passos

Atualmente, Ciro Nogueira está proibido de manter contato com outros investigados ou testemunhas do caso. Em nota, a defesa do senador afirmou que ele não tem envolvimento com atividades ilícitas e que permanece à disposição da justiça para qualquer esclarecimento necessário. Enquanto isso, a proposta de delação de Vorcaro, que cita políticos de diversos espectros partidários, segue na mesa da Procuradoria-Geral da República, mas agora com um valor de troca muito menor do que o esperado inicialmente.