Publicado em 28 de maio de 2026 às 09:46
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) a PEC que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e abre caminho para o fim da escala 6x1 no Brasil.>
A proposta recebeu ampla maioria dos votos: foram 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno, e 461 a 19 no segundo. Agora, o texto segue para análise no Senado.>
Para virar lei, a PEC ainda precisa ser aprovada em dois turnos pelos senadores, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada votação.>
Apesar da aprovação expressiva na Câmara, a proposta deve enfrentar resistência no Senado. Interlocutores do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, afirmam que a tramitação não deve ser acelerada, mesmo com o forte apelo popular da medida.>
O principal argumento é que o Senado pretende analisar a proposta com mais cautela, sem apenas repetir a decisão tomada pelos deputados. Ainda não foi definido se a PEC passará por comissões temáticas ou se terá uma comissão especial antes de ir ao plenário.>
Além disso, o calendário apertado do Congresso, com recesso parlamentar e eleições se aproximando, pode atrasar a votação.>
O que muda na prática>
A proposta altera a Constituição para estabelecer que a jornada normal de trabalho não poderá ultrapassar:>
* 8 horas por dia;>
* 40 horas por semana.>
A redução será feita de forma gradual:>
* As primeiras 2 horas devem ser reduzidas até dois meses após a promulgação da PEC;>
* As outras 2 horas restantes deverão ser cortadas em até 12 meses.>
Já o fim da escala 6x1, garantindo pelo menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, passará a valer 60 dias após a promulgação.>
Acordos terão de ser renegociados>
A proposta também determina que acordos e convenções coletivas incompatíveis com as novas regras perderão validade automaticamente após 60 dias da promulgação.>
Na prática, sindicatos e empresas terão de renegociar contratos para se adaptar às novas jornadas.>
Quem ficará fora das novas regras>
As mudanças não valerão para trabalhadores com diploma de nível superior que recebam acima de duas vezes e meia o teto do INSS — atualmente cerca de R$ 21 mil.>
Para esse grupo, não haverá obrigação de controle de jornada nem limite de horas de trabalho.>
Segundo defensores da medida, a exceção busca dar mais flexibilidade para profissionais de alta renda e reduzir casos de “pejotização”.>
Economistas avaliam que a redução da jornada precisará vir acompanhada de investimentos em qualificação profissional, inovação e melhorias na infraestrutura para evitar impactos na produtividade.>