Republicanos oficializa neutralidade na disputa presidencial e não terá vice com Flávio Bolsonaro

Decisão tomada em convenção nacional prioriza a autonomia regional e o fortalecimento das bancadas no Congresso.

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 13:54

Presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (SP).
Presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (SP). Crédito: Reprodução/Câmara dos Deputados

O Republicanos anunciou oficialmente, nesta terça-feira (4), que adotará uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República em 2026. A decisão, formalizada em convenção nacional realizada em Brasília, confirma que o partido não irá compor a chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL), frustrando as tentativas de aproximação da campanha do parlamentar, que segue sem um nome para a vice-presidência.

De acordo com o presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), a deliberação foi precedida por uma consulta interna em que 17 dos 27 diretórios estaduais se posicionaram a favor da independência. Outras nove executivas manifestaram apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto uma preferiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O posicionamento do Republicanos segue a mesma estratégia adotada pela federação União Brasil-Progressistas, que também optou por não declarar apoio formal a nenhum candidato ao Planalto. Em nota oficial, o partido destacou que a independência busca preservar a autonomia das lideranças estaduais e a unidade partidária, levando em conta as diferentes alianças regionais consolidadas nos últimos anos.

Na prática, a neutralidade nacional permite que diretórios locais construam seus próprios arranjos. Em São Paulo, por exemplo, dirigentes da sigla já manifestaram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, mesmo sem uma coligação nacional formalizada entre as legendas. Entre os defensores da neutralidade nos bastidores estavam nomes influentes como o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), e o ministro Silvio Costa Filho.

A legenda enfatizou que sua prioridade absoluta será ampliar as bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O partido argumenta que o fortalecimento no Legislativo é fundamental para defender bandeiras como a responsabilidade fiscal, a segurança jurídica e o desenvolvimento econômico.

"A posição de independência na disputa presidencial não representa ausência de princípios nem de posicionamento político", afirmou a sigla em nota, classificando a decisão como um exercício de maturidade institucional e respeito ao pacto federativo. O comunicado final reforça que o processo foi transparente e democrático, respeitando a diversidade de um partido que cresceu em capilaridade por todo o País.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.