Resposta de Bolsonaro sobre uso de IA gera desgaste e complica estratégia de Flávio

Declaração do ex-presidente provoca repercussão negativa e abre novo foco de tensão na articulação política do senador.

Publicado em 30 de julho de 2026 às 08:40

Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro Juntos, em convenção política -
Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro Juntos, em convenção política - Crédito: Reprodução/X

A repercussão de uma declaração do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o uso de inteligência artificial passou a gerar desconforto nos bastidores políticos e criou um novo desafio para a estratégia do senador Flávio Bolsonaro.

O episódio ganhou força após a resposta de Jair Bolsonaro sobre o tema viralizar nas redes sociais e ser interpretada por aliados e adversários como controversa. A fala abriu espaço para questionamentos sobre a postura do ex-presidente diante de tecnologias emergentes, especialmente em um momento em que o uso de inteligência artificial tem impacto direto no debate público e nas campanhas políticas.

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (29/7), que o ex-presidente não autorizou o uso de sua imagem e voz para a criação de um vídeo produzido por inteligência artificial, divulgado na convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República. O documento foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes. Os advogados argumentam que Bolsonaro sequer teria condições de conceder tal autorização, devido às restrições impostas por Moraes.

os advogados também ressaltaram que o uso da imagem pública de Bolsonaro pelos seus filhos é uma “prática notória e contínua” desde o período em que ele exercia a Presidência da República.

Caberá à Justiça Eleitoral avaliar se o conteúdo configura “deep fake”, técnica que permite alterar vídeos ou fotos com auxílio da IA e que é proibida durante as eleições. O relator da ação, apresentada pelo PT, é o ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No vídeo, o ex-presidente diz que está “preso e calado por uma decisão arbitrária”, mas que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança”.

Nos bastidores, a avaliação é de que a declaração acabou desviando o foco de pautas consideradas prioritárias pelo grupo político. Integrantes próximos a Flávio Bolsonaro demonstraram preocupação com o efeito da repercussão, sobretudo pela possibilidade de exploração do tema por adversários.

A situação também evidencia um dilema estratégico: ao mesmo tempo em que Bolsonaro segue como principal liderança do campo político que representa, suas declarações continuam tendo forte impacto e, por vezes, gerando ruídos que exigem gerenciamento imediato.

Especialistas em comunicação política apontam que episódios desse tipo reforçam a necessidade de maior controle narrativo, principalmente em um cenário em que a inteligência artificial já é tema sensível e pode influenciar diretamente a opinião pública.

Apesar da repercussão, aliados tentam minimizar o impacto e reforçam que a base de apoio permanece consolidada. Ainda assim, o caso expõe os desafios de alinhar discurso e estratégia em um ambiente político cada vez mais dinâmico e influenciado pelas novas tecnologias.

Texto por Pedro Moraes, com a supervisão de Danielle Zuquim.