Publicado em 24 de março de 2026 às 22:41
O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (24), um projeto de lei que criminaliza a misoginia e a equipara, para efeitos legais, ao crime de racismo. A proposta, que agora segue para análise da Câmara dos Deputados, insere a prática na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), entre os crimes de discriminação ou preconceito.
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A misoginia é definida no texto como o sentimento de repulsa, ódio ou aversão às mulheres. O comportamento social, segundo especialistas, resulta na objetificação feminina e pode levar a casos extremos, como o feminicídio.>
Equiparação e penas>
Com a aprovação, a misoginia passa a ser tratada como um crime imprescritível e inafiançável, assim como o racismo. Quem praticar, induzir ou incitar a discriminação contra mulheres estará sujeito a penas de reclusão de um a três anos, além de multa. O regime inicial de cumprimento da pena será o fechado.>
Nos casos de injúria — quando há ofensa à honra e à dignidade da mulher motivada por misoginia —, a pena será mais severa: reclusão de dois a cinco anos e multa. Se o crime for cometido por duas ou mais pessoas, a pena é aumentada em 50%. A injúria comum, prevista no Código Penal, tem pena de detenção de um a seis meses.>
O projeto também determina que, em casos de crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria) cometidos contra mulheres no contexto de violência doméstica e familiar, a pena será dobrada.>
Contexto e justificativa>
A matéria é de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e teve como relatora no Senado a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). O projeto define como discriminatória “qualquer atitude ou tratamento dado à pessoa ou a grupos minoritários que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida, e que usualmente não se dispensaria a outros grupos em razão da cor, etnia, religião, procedência nacional ou condição de mulher”.>
A aprovação ocorre em um momento de recorde de feminicídios no país. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que 1.470 mulheres foram vítimas desse tipo de crime em 2025, uma média de quatro mortes por dia.>
Próximos passos>
Aprovado no Senado, o texto segue para a Câmara dos Deputados, onde será analisado pelas comissões temáticas e pelo plenário. Caso seja aprovado sem alterações, seguirá para sanção presidencial.>
A medida integra um conjunto de propostas em tramitação no Congresso voltadas à proteção dos direitos das mulheres. Apenas em março, 16 projetos relacionados ao tema foram analisados, seis dos quais já encaminhados para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).>
Cartilha do Ministério das Mulheres>
O Ministério das Mulheres mantém uma cartilha que exemplifica situações de misoginia, como:>
• mulheres agredidas por parceiros que ainda são culpabilizadas por familiares e amigos;>
• ideias femininas rejeitadas e posteriormente apropriadas por homens;>
• frases como “Não precisa reagir assim, você está de TPM?”;>
• boatos de que uma mulher teria recebido promoção por envolvimento com o chefe.>
Com a nova legislação, condutas como essas poderão ser enquadradas como crime de discriminação, sujeitas a penas mais severas.>