TRE-PA reforça direito de votar sem pressão e amplia orientação em aldeias sobre assédio eleitoral

Tribunal destaca importância da informação para garantir liberdade de escolha e leva materiais eleitorais a comunidades indígenas do Pará.

Publicado em 4 de outubro de 2026 às 18:44

Bruno Giorgi Almeida
Bruno Giorgi Almeida Crédito: Roma News

A liberdade para escolher em quem votar é um dos pontos de atenção da Justiça Eleitoral nas Eleições 2026. No Pará, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PA) tem reforçado ações de orientação para prevenir situações de pressão ou interferência na decisão dos eleitores, inclusive em comunidades indígenas.

Durante a coletiva de imprensa realizada neste domingo(4), o diretor-geral do TRE-PA, Bruno Giorgi Almeida falou sobre o combate ao assédio eleitoral e destacou que informar a população é uma das formas de fortalecer a liberdade de escolha. Segundo ele, o trabalho também envolve explicar o funcionamento das eleições e a segurança da urna eletrônica diretamente nas comunidades.

Ao lembrar de uma experiência em aldeias indígenas, o diretor relatou uma frase que chamou sua atenção durante uma das ações: “Eu posso votar com a minha consciência?”. Para Bruno, o questionamento mostrou a importância de garantir que o eleitor compreenda que a decisão nas urnas pertence a ele.

O assédio eleitoral pode ocorrer, por exemplo, quando alguém sofre ameaça de demissão, recebe promessa de vantagem ou é constrangido por causa de sua preferência política no ambiente de trabalho. Em agosto, o TSE e os Ministérios Públicos lançaram uma mobilização nacional para prevenir e combater esse tipo de pressão durante as eleições.

Informação também chega às aldeias

Para ampliar o acesso às informações eleitorais, o TRE-PA desenvolveu o projeto “Originários: Sua língua, seu voto, sua representatividade”, com materiais em línguas indígenas. A iniciativa busca explicar, de forma acessível, temas como votação, campanha, dia da eleição e segurança da urna.

O trabalho inclui conteúdos em Mebêngokrê, Munduruku, Nheengatu, Wai-Wai e Tenetehara, além de vídeos produzidos nas próprias línguas. Em setembro, durante uma ação em Tomé-Açu, o tribunal voltou a apresentar o materiall em Tenetehar às comunidades indígenas da região.

Além da orientação, a Justiça Eleitoral trabalha para reduzir obstáculos físicos ao voto. No Pará, 22 das 55 localidades que dependem de transporte aéreo para a logística eleitoral estão em aldeias indígenas.

A proposta, segundo o tribunal, é fazer com que distância, falta de informação ou pressão externa não impeçam o eleitor de exercer seu direito. No caso do assédio eleitoral, a orientação é que a escolha política permaneça sob responsabilidade do próprio cidadão.