Valdemar nega desvio em emendas e diz que 'nem se acertasse na Mega-Sena' teria R$ 119 milhões

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões de bens de Valdemar por suspeitas da Polícia Federal

Publicado em 12 de julho de 2026 às 10:29

Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL).
Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL). Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou à CNN Brasil, neste sábado, 11, que sempre faz "sugestões" de aplicação de emendas parlamentares aos membros da legenda. As declarações ocorreram um dia após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter determinado o bloqueio de até R$ 119 milhões de bens de Valdemar por suspeitas da Polícia Federal de desvio de 21 emendas parlamentares, mesmo sem que o presidente do PL exerça mandato eletivo.

Os recursos foram liberados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2024 e 2025. Dino decidiu que a suspensão das emendas indicadas na representação policial fosse imediata, estivessem elas em fase de empenho, liquidação ou pagamento. "Nós sempre fazemos sugestões dessas emendas. Veja bem, eu tenho o pleito de muitos prefeitos do Brasil, eles vão falar com a presidência (do PL) porque os recursos que os deputados têm não são suficientes", declarou Valdemar à CNN.

O presidente do PL continuou: "Então, nós sugerimos para a liderança e para as comissões, porque nós temos várias comissões, pelo tamanho da bancada - por exemplo, a comissão de Saúde é nossa, que tem verba própria também - então nós sugerimos que possa doar para esses municípios. E é nisso que eu entro. Isso é só política, não tem outra coisa".

Valdemar disse ainda que "é normal" a prática de sugerir a aplicação das emendas. "Eu tenho que receber os prefeitos e avalio onde, quem precisa mais, quem precisa menos, e dividimos uma parte. Uma parte, os deputados cedem, uma parte das emendas deles, nas comissões também", detalhou. "E aí nós indicamos, sugerimos que deem o dinheiro, que passe o dinheiro da saúde, passe dinheiro para as ações da prefeitura, para obras, para que o cidadão possa receber esses recursos. Isso é normal em todo partido político."

O presidente do PL acrescentou: "E esse pessoal, quando não tem ajuda, eles pedem para o presidente do partido, porque eu tenho mais força com os deputados. Eles deixam uma parcela para a liderança fazer. Quem faz a indicação é o líder", disse. "Então ele atende as sugestões que eu mando, as que são possíveis. E também eu não peço o impossível, porque eu tenho experiência do que eu posso pedir, onde que nós podemos chegar, para que se possa atender a esses prefeitos".

Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou "inconformismo" com a decisão de Dino e disse ver intervenção indevida do Judiciário em atividade típica do Poder Legislativo.

Mega-Sena

O presidente nacional do Partido Liberal (PL) afirmou que não tem R$ 119 milhões, ao comentar uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de bens de Valdemar por suspeitas da Polícia Federal de desvio de 21 emendas parlamentares, mesmo sem que o presidente do PL exerça mandato eletivo. "O bloqueio que fizeram, de R$ 119 milhões, eu não tenho esse dinheiro. Nem que eu acertasse duas vezes na loteria, eu teria esse dinheiro. R$ 119 milhões é o valor total das emendas que foram doadas", declarou à CNN

Valdemar foi questionado se o seu patrimônio totaliza o valor que foi bloqueado a mando do ministro do STF. "Imagina, mas nem perto. Eu gostaria de ter. Mas nem que eu acertasse duas vezes na Mega Sena eu teria esse dinheiro", disse. O presidente do PL alegou que o bloqueio foi feito no valor total das emendas. "E o bloqueio saiu desse tamanho. Então, o cidadão que vê isso pensa que eu tenho esse dinheiro para pagar. Eu jamais teria", disse.

O presidente do PL acrescentou que irá mostrar pela defesa que não cometeu "nada irregular". "E as emendas todas são emendas sérias".

Motta

Valdemar afirmou que recebeu um telefonema do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e que espera providências do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ao comentar uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar por suspeitas da Polícia Federal de desvio de 21 emendas parlamentares, mesmo sem que o presidente do PL exerça mandato eletivo.

"Ele (Hugo Motta) me ligou, ficou muito preocupado com o processo. Eu acho que o Alcolumbre também deve tomar alguma providência no Senado, porque isso é política. A política é feita dessa forma", disse Valdemar. "O que não pode é fazer emenda errada, para órgãos que não são sérios, para alguma associação, isso não pode."

Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou "inconformismo" com a decisão de Dino e disse ver "intervenção indevida" do Judiciário em atividade típica do Poder Legislativo.