Publicado em 8 de outubro de 2026 às 07:53
Proteger o que resta da vegetação ao redor de rios e córregos nunca foi tão urgente. Dados divulgados nesta quinta-feira (8) pela Coleção 11 do MapBiomas revelam que, entre 1985 e 2025, o Cerrado brasileiro viu desaparecer 13,9 milhões de hectares de matas nativas localizadas a até 500 metros de cursos d'água.>
Essa devastação que sozinha empata com a extensão territorial inteira do Amapá representa mais de um quarto de toda a vegetação convertida para outros fins no bioma ao longo de 41 anos.>
Especialistas explicam que esse desmatamento à beira dos rios não é apenas uma perda paisagística, mas um risco direto à nossa segurança hídrica. A vegetação ribeirinha funciona como um verdadeiro escudo para o solo, contendo a erosão e impedindo que sedimentos entupam os leitos d'água.>
Sem essa proteção natural, a região fica extremamente vulnerável a eventos climáticos extremos, como períodos prolongados de seca e tempestades intensas, comprometendo tanto a qualidade quanto o volume de água disponível para a população e a produção.>
O impacto dessa degradação atinge com força as grandes bacias hidrográficas que nascem no bioma. As regiões do Alto Tocantins e do Araguaia lideram o ranking negativo de destruição das margens fluviais, acumulando juntas uma perda de 5,6 milhões de hectares o equivalente a 41% de toda a redução registrada nas proximidades dos rios em quatro décadas.>
No panorama geral, o estrago histórico é profundo: o Cerrado acumula uma redução líquida de 51,7 milhões de hectares de sua cobertura verde original, impulsionado sobretudo pelo avanço da agropecuária, que hoje domina quase metade de todo o território do bioma.>
Enquanto estados como Piauí e Maranhão ainda conseguem manter boa parte de suas paisagens preservadas, a pressão sobre as áreas privadas e os municípios continua desafiando o futuro da conservação ambiental no país.>