Publicado em 8 de setembro de 2026 às 21:58
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta terça-feira (8) a destinação de R$ 180 milhões do Fundo Clima para restaurar mais de 10 mil hectares na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará. O anúncio foi feito durante o evento Amazônia Protegida: Novos territórios para conservação e desenvolvimento sustentável, realizado no Palácio do Planalto, em Brasília, em celebração ao Dia da Amazônia.>
A medida foi divulgada no mesmo evento em que o banco anunciou o resultado do edital Bacia do Rio Xingu 2, da iniciativa Floresta Viva. O edital selecionou três projetos que receberão R$ 5,3 milhões para restaurar 140 hectares e fortalecer a cadeia produtiva da restauração ecológica na porção da Bacia do Rio Xingu localizada em Mato Grosso.>
Apesar de os projetos selecionados neste segundo edital serem executados em Mato Grosso, a Bacia do Rio Xingu também abrange o Pará e possui importância estratégica para a conservação da Amazônia. Ao todo, os dois editais do Floresta Viva voltados ao Xingu já selecionaram sete projetos, com R$ 25,6 milhões destinados diretamente às ações nos territórios.>
Restauração no Xingu>
Com aproximadamente 1,9 mil quilômetros de extensão, o Rio Xingu nasce no Cerrado, atravessa a Floresta Amazônica e deságua no Rio Amazonas. A bacia ocupa cerca de 53 milhões de hectares e abrange aproximadamente 50 municípios dos estados do Pará e Mato Grosso, além de reunir terras indígenas, unidades de conservação e comunidades tradicionais.>
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a importância da restauração para a conservação ambiental e a adaptação às mudanças climáticas.>
“A restauração ecológica é uma agenda relevante para a adaptação climática, a conservação da biodiversidade e a recuperação de áreas degradadas. No caso do Xingu, os projetos apoiados combinam restauração, fortalecimento da cadeia produtiva e participação de organizações que atuam nos territórios. O modelo do Floresta Viva permite somar recursos do BNDES e de parceiros para ampliar a escala dessas ações e apoiar iniciativas com impacto ambiental e social concreto”, afirmou.>
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ressaltou que a recuperação ambiental envolve uma cadeia de atividades que vai além do plantio.>
“A restauração ecológica envolve um conjunto de etapas que vai além do plantio de árvores, incluindo coleta de sementes, produção de mudas, assistência técnica, monitoramento e fortalecimento das organizações locais. Os projetos selecionados no Xingu reforçam essa abordagem integrada, com ações adaptadas às características do território e voltadas à recuperação ambiental e ao fortalecimento da cadeia da restauração”, destacou.>
Participação de parceiros>
O Floresta Viva funciona por meio de um modelo de matchfunding, que combina recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental do BNDES com aportes de parceiros públicos e privados.>
Entre os apoiadores está o Grupo Energisa. A diretora de Gestão e Sustentabilidade da empresa, Tatiana Feliciano, destacou a relevância ambiental da bacia.>
“O apoio do Grupo Energisa à iniciativa Floresta Viva reflete nosso compromisso com a preservação dos biomas brasileiros e o desenvolvimento sustentável. A Bacia do Rio Xingu é essencial para a regulação do ciclo das águas na Amazônia e abriga dezenas de povos indígenas”, explicou.>
O Fundo Vale também participa da iniciativa. Para a diretora Patrícia Daros, a restauração precisa estar associada ao fortalecimento das organizações e à participação das comunidades que vivem nos territórios.>
“Apoiar a restauração é também fortalecer as condições para que essa agenda avance de forma consistente: com soluções financeiras inovadoras, organizações fortalecidas, conhecimento aplicado e participação de quem vive nos territórios. É essa visão de longo prazo que orienta o apoio técnico e financeiro do Fundo Vale ao programa Floresta Viva”, afirmou.>
A Norte Energia também está entre as instituições parceiras. O CEO da empresa, Luiz Eduardo Osorio, destacou a atuação na região do Xingu e a relação entre conservação ambiental e desenvolvimento local.>
“Para a Norte Energia, atuar na Bacia do Rio Xingu vai muito além de gerar energia limpa e renovável para o país. O apoio da companhia a este edital do Floresta Viva demonstra o nosso compromisso com a sustentabilidade e proteção da Amazônia, a partir do fortalecimento da economia local, da preservação da biodiversidade e da valorização do conhecimento das comunidades locais e dos povos tradicionais no entorno da Usina Belo Monte”, afirma.>
Projetos selecionados>
No edital Bacia do Rio Xingu 2, foram selecionadas a Fundação Pró-Natureza (Funatura), a Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) e o Instituto Comunidade, Clima e Carbono (Instituto C3). Os projetos terão prazo de execução de até 48 meses.>
As propostas priorizam iniciativas que envolvam comunidades locais, povos tradicionais e organizações com atuação nos territórios. Pelo menos metade dos recursos de cada projeto deverá ser destinada diretamente às atividades de restauração dos ecossistemas.>
O superintendente de Programas do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Manoel Serrão, explicou que os projetos foram estruturados para considerar as características da região e envolver as populações locais.>
“O edital foi estruturado para apoiar iniciativas que reforcem a cadeia produtiva da restauração ecológica na bacia do Rio Xingu, uma das regiões mais importantes sob o ponto de vista da conservação ambiental da Amazônia. Os projetos selecionados combinam ações construídas a partir da realidade dos territórios, que engajam e beneficiam diretamente as pessoas que vivem em terras indígenas, unidades de conservação e comunidades tradicionais”, afirmou.>
O Funbio é responsável pela operacionalização do Floresta Viva, incluindo a organização dos editais, recebimento dos recursos, repasse às instituições executoras, acompanhamento técnico e financeiro e monitoramento dos resultados.>
Floresta Viva>
Até agora, o Floresta Viva lançou 16 editais e selecionou 79 projetos. A iniciativa prevê chegar a 137 projetos, com restauração de mais de 10.760 hectares. O aporte do BNDES soma R$ 243,8 milhões e, com os recursos mobilizados junto a 15 instituições apoiadoras, o investimento total chega a R$ 487,6 milhões.>
A iniciativa integra o BNDES Florestas, que reúne ações voltadas à restauração ecológica, conservação, bioeconomia e geração de ativos ambientais. Segundo o banco, os programas do BNDES Florestas somam R$ 14,1 bilhões mobilizados, com previsão de plantio de 342 milhões de árvores, geração de 86 mil empregos verdes e remoção de 66 milhões de toneladas de CO₂ equivalente da atmosfera.>
Com informações da Agência BNDES.>