Publicado em 15 de junho de 2026 às 17:45
Um dos animais mais difíceis de encontrar na Amazônia acaba de ter parte de seus mistérios revelada. Conhecido como cachorro-fantasma, o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas (Atelocynus microtis) foi registrado 4.635 vezes por armadilhas fotográficas instaladas em diferentes áreas da floresta ao longo de 23 anos.>
O levantamento, considerado o maior banco de imagens já reunido sobre a espécie, foi liderado pelo biólogo Robert Wallace e trouxe novas informações sobre o comportamento do animal, raramente visto até mesmo por pesquisadores.>
Os registros mostraram que o cachorro-fantasma é mais ativo durante o dia, contrariando a ideia de que teria hábitos predominantemente noturnos. Cerca de 72% das aparições ocorreram no período diurno, principalmente nas primeiras horas da manhã.>
Outro detalhe que chama a atenção é a adaptação do animal ao ambiente amazônico. A espécie possui membranas entre os dedos das patas, característica que facilita a locomoção em áreas alagadas e próximas a rios e igarapés. Os pesquisadores também identificaram uma forte relação entre a presença do canídeo e áreas de floresta preservada. Segundo o estudo, o cachorro-fantasma evita regiões degradadas e depende diretamente da conservação da Amazônia para sobreviver.>
Embora os dados indiquem que a espécie possa ser mais comum do que se imaginava em unidades de conservação e terras indígenas, os cientistas alertam que o avanço do desmatamento continua sendo uma ameaça para um animal que ainda guarda muitos segredos sobre sua vida na floresta.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>