COP17 da Desertificação começa na Mongólia com foco em financiamento e regras para combate à seca

Encontro reúne 196 países em Ulaanbaatar para avançar no manejo de solos, atrair recursos privados e garantir espaço inédito para povos originários.

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 07:58

COP17 da Desertificação começa na Mongólia com foco em financiamento e regras para combate à seca
COP17 da Desertificação começa na Mongólia com foco em financiamento e regras para combate à seca Crédito: RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

Começou nesta segunda-feira (17), na capital da Mongólia, a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). O encontro global, que se estende até 28 de agosto, reúne delegações de 196 países e da União Europeia em busca de mecanismos práticos para conter o avanço da seca, recuperar ecossistemas degradados e assegurar recursos hídricos e alimentares para as próximas décadas.

Sob a liderança da secretária-executiva da convenção, Yasmine Fouad, a cúpula tenta superar os gargalos deixados pela edição anterior, realizada na Arábia Saudita em 2024, especialmente no que diz respeito à criação de um acordo internacional para a gestão de secas.

A sustentabilidade econômica e a busca por recursos financeiros estão no centro das pautas em Ulaanbaatar. A direção do Mecanismo Global da convenção calcula que a meta de proteção do solo exige investimentos da ordem de US$ 1 bilhão por dia até 2030, montante que depende de novos instrumentos de financiamento para atrair o setor privado em cadeias como agronegócio, cosméticos e moda. Em paralelo, mais de 130 nações buscam cumprir metas de Neutralidade da Degradação da Terra, parâmetro crucial frente à estimativa de que a produção agrícola precisará crescer 50% até 2050.

O Brasil participa das negociações apresentando pela primeira vez suas metas formais de neutralidade do solo, balizadas por um levantamento que mapeou 55 milhões de hectares em degradação no território nacional em 2020. O país também celebra um avanço institucional no evento: o funcionamento inédito do espaço oficial de articulação para povos indígenas e comunidades tradicionais, proposta brasileira aprovada na conferência anterior para garantir que as populações mais atingidas pelo clima tenham voz ativa nos debates globais.