Publicado em 24 de agosto de 2026 às 16:14
A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) entrou em sua última e decisiva semana de negociações em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Com os próximos quatro dias divididos em eixos temáticos para acelerar os acordos, as discussões desta segunda-feira (24) concentraram-se na captação de recursos financeiros para a restauração do solo e o combate à seca.>
Embora novos aportes no total de US$ 1,3 bilhão tenham sido anunciados, os investimentos continuam muito distantes das metas globais. Especialistas das Nações Unidas estimam que o déficit anual para enfrentar a degradação da terra é de US$ 278 bilhões.>
Diante da enorme lacuna, a secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), Yasmine Fouad, fez um apelo para que os setores público e privado engajem-se em investimentos de prevenção e recuperação econômica, e não apenas em doações de assistência. Segundo a secretária, o objetivo é mobilizar recursos que evitem inclusive conflitos em áreas de pastagem, levando soluções práticas para a vida das populações afetadas.>
O maior anúncio econômico do dia foi a Rangelands Flagship Initiative, uma parceria lançada pelo governo da Mongólia e a UNCCD. Avaliado em US$ 1,2 bilhão, o programa reúne uma carteira de 45 projetos focados na conservação, gestão sustentável e restauração de pastagens e ecossistemas de terras secas, que cobrem mais da metade da superfície terrestre e sustentam centenas de milhões de pessoas. Esta é a maior mobilização financeira da história da Convenção voltada especificamente para esses ecossistemas.>
Atualmente, o setor privado responde por apenas cerca de 6% do financiamento global voltado à restauração de terras. Para tentar atrair empresas de setores altamente dependentes da saúde do solo — como agricultura, moda e alimentos —, a UNCCD anunciou a criação da rede de centros nacionais Business4Land.>
De acordo com o economista ambiental Pablo Munõz, o tamanho do déficit exige pensar em novas formas de atuação, tais como o uso de recursos públicos para reduzir riscos de investidores privados, garantias, seguros e capital de primeira perda.>
Outra aposta apresentada na conferência foi o anúncio, pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), de um programa integrado para gestão de terras com previsão inicial de US$ 140 milhões. De acordo com o representante do GEF, Ulrich Appel, a iniciativa busca ajudar os países a migrarem de uma postura de simples resposta a emergências para uma estratégia robusta focada em prevenção, monitoramento e planejamento de resiliência antes que a seca de fato se transforme em um desastre.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>