Em pesquisa feita pela Ufopa, copaíba-amazônica surge como alternativa sustentável para combater carrapato bovino

Estudo em parceria com a Unicamp revela que a oleorresina da árvore possui alta eficácia contra o parasita.

Publicado em 30 de junho de 2026 às 18:44

Diferentes fases da extração e análise da oleorresina.
Diferentes fases da extração e análise da oleorresina. Crédito: Acervo da pesquisa.

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em colaboração com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), identificou o potencial da copaíba-amazônica (Copaifera reticulata) como uma solução natural e eficiente no controle do carrapato bovino (Rhipicephalus microplus). O estudo, que investigou a composição química e a atividade acaricida da planta, foi publicado na revista científica internacional ACS Omega, da American Chemical Society.

O trabalho foi liderado pelo biotecnologista e mestrando Selino Monteiro Costa Filho e contou com a cooperação de laboratórios de sanidade animal e biotecnologia da Ufopa e da Unicamp. Através do Teste de Imersão de Larvas (TIL), os pesquisadores constataram que tanto a oleorresina bruta quanto a sua fração resinosa apresentam uma eficácia pronunciada contra as larvas do carrapato.

Essa ação deve-se ao fato de a copaíba ser rica em terpenoides, compostos orgânicos que as plantas utilizam naturalmente para se defenderem de pragas. A oleorresina utilizada nos testes foi extraída de uma árvore adulta na Floresta Nacional do Tapajós, em Belterra (PA), enquanto os carrapatos foram coletados em bovinos de um frigorífico em Santarém.

O carrapato bovino é considerado uma das principais ameaças econômicas e sanitárias à pecuária mundial. Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que a espécie Copaifera reticulata pode contribuir diretamente para o desenvolvimento de tecnologias mais sustentáveis no manejo animal.

A iniciativa reforça a importância da biodiversidade amazônica para a ciência, mostrando que produtos naturais da região podem ser a base para alternativas veterinárias menos dependentes de químicos sintéticos. O estudo integra as áreas de química de produtos naturais e saúde animal, destacando o papel das universidades brasileiras na inovação tecnológica para o agronegócio.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.