Estudos do Instituto Tecnológico Vale revelam como a floresta amazônica pode impulsionar a nova bioeconomia brasileira

Os estudos combinam tecnologias avançadas de sequenciamento genético, com estudos clássicos de taxonomia e ecologia.

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 18:16

Pesquisadores do ITV desenvolvem estudos com espécies como açaí e jaborandi.
Pesquisadores do ITV desenvolvem estudos com espécies como açaí e jaborandi. Crédito: Divulgação

Nesta quarta-feira (2), em Belém, a Vale realizou a 5ª edição do Café com Ciência, iniciativa que aproxima pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e profissionais da imprensa para ampliar o conhecimento sobre estudos voltados à sustentabilidade e à Amazônia. O evento também marcou a celebração pelo Dia da Amazônia, comemorado neste dia 5. Na ação, os jornalistas conheceram pesquisas com espécies como açaí e jaborandi, e seus resultados para a geração de conhecimento científico e a conservação da floresta.

Os estudos combinam tecnologias avançadas de sequenciamento genético, com estudos clássicos de taxonomia e ecologia para desvendar características, funções e substâncias produzidas pelas plantas para se protegerem, crescerem ou interagirem com o ambiente.

“Essas pesquisas demonstram que a Amazônia, além de um patrimônio ambiental é também uma fonte de conhecimento, inovação e desenvolvimento sustentável. Ao estudar espécies e insumos da floresta, geramos conhecimento em áreas como genômica, relações ecológicas e sociobioeconomia contribuindo para a conservação da biodiversidade”, diz Patrícia Daros, diretora vice-presidente do Instituto Tecnológico Vale.

5ª edição do Café com Ciência, iniciativa que aproxima pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e profissionais da imprensa.
5ª edição do Café com Ciência, iniciativa que aproxima pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e profissionais da imprensa. Crédito: Divulgação

Açaí: o genoma da palmeira símbolo da Amazônia

Pesquisadores do ITV produziram genomas de referência, em nível cromossômico, para três espécies importantes para a bioeconomia: o açaí-de-touceira (Euterpe oleracea), das várzeas amazônicas; o açaí-solteiro (Euterpe precatoria), da terra firme; e a juçara (Euterpe edulis), da Mata Atlântica.

Para obtenção desses genomas, foi utilizado o Pipeasm, uma ferramenta de bioinformática desenvolvida pela própria equipe do ITV, que reduz o tempo de processamento de cada genoma de duas semanas para cerca de três dias.

“Este método contribui para a melhor qualidade da montagem do genoma com detalhamento que possibilita identificação de genes mais específicos como aqueles relacionados à produção de antioxidantes, à adaptação climática, à resistência a estresses ambientais e aos ciclos de floração e frutificação. Esse conhecimento aprofundado pode subsidiar ações mais assertivas para programas de conservação e manejo sustentável dessas espécies”, explica o pesquisador Renato Oliveira.

Jaborandi: a planta da floresta que trata o glaucoma

O ITV também publicou o primeiro genoma e transcriptoma do jaborandi (Pilocarpus microphyllus), espécie endêmica do Brasil e encontrada em formações florestais do Pará, Piauí e Maranhão — sendo a Floresta Nacional de Carajás (Flona-PA) uma das maiores reservas naturais da planta. O jaborandi é a principal fonte natural de pilocarpina, composto amplamente utilizado no tratamento de glaucoma e outras doenças oftalmológicas. Até hoje, a produção da pilocarpina depende quase exclusivamente do extrativismo vegetal, por falta de conhecimento sobre os mecanismos biológicos de sua síntese.

“O sequenciamento realizado pelo ITV viabiliza a identificação de genes e as vias metabólicas envolvidas na produção do composto, criando as bases para futuras rotas biotecnológicas de produção em laboratório, o que pode reduzir a pressão sobre a espécie e posicionar o Brasil na fronteira da biotecnologia farmacêutica a partir da biodiversidade da floresta”, conta o pesquisador Cecílio Caldeira.

Sobre o Instituto Tecnológico Vale

O Instituto Tecnológico Vale, instituição sem fins lucrativos mantida pela Vale, busca contribuir com o Brasil no desenvolvimento de soluções tecnológicas e científicas para os desafios da cadeia da mineração e da sustentabilidade para as futuras gerações. O instituto possui duas unidades: o ITV Desenvolvimento Sustentável, em Belém (PA), e o ITV Mineração, em Ouro Preto (MG) e Santa Luzia (MG).

Em Belém, o ITV opera como centro de pesquisa multidisciplinar, com foco na geração de conhecimento e valor para a Vale e a Amazônia. Sua atuação é focada em excelência científica, colaboração interdisciplinar e comprometimento com a sustentabilidade, a partir de uma postura ativa e inovadora em pesquisa e educação, abrangendo diversas áreas estratégicas. Biodiversidade, serviços ambientais, recursos hídricos, socioeconomia, genômica ambiental, reflorestamento com espécies nativas, recuperação de áreas degradadas, ocupação e uso da terra, mudanças climáticas são apenas alguns dos campos em que o ITV DS direciona seus esforços e objetiva impulsionar a busca por soluções transformadoras que beneficiem tanto as comunidades locais quanto o meio ambiente, deixando um legado duradouro na região, na promoção do desenvolvimento sustentável da Amazônia e de outras áreas de relevância biológica e socioeconômica.

Já o ITV Mineração, com unidades em Minas Gerais, atua em duas frentes: a de ensino, que está relacionada ao propósito de contribuir para introjeção de conhecimento na empresa e na sociedade, e a frente em pesquisa e desenvolvimento nas áreas de Tribologia, Automação, Controle & Robótica, Lavra de Minas e de Metalurgia Extrativa & Tratamento de Minérios.