Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 15:57
Um laudo técnico do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apontou que o vazamento de cerca de 18 mil litros de fluido durante a perfuração do poço Morpho, na região da Foz do Amazonas, continha substâncias com potencial tóxico à fauna marinha. A ocorrência envolve a Petrobras e reacende o debate sobre os riscos ambientais da exploração de petróleo em áreas sensíveis da costa Norte do país.
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De acordo com o documento técnico, mesmo em pequenas concentrações, o material derramado apresenta características que podem comprometer funções vitais de organismos marinhos, como respiração e alimentação. A viscosidade do fluido também é apontada como fator de risco, já que pode aderir a estruturas biológicas, afetando desde espécies microscópicas até peixes e outros animais de maior porte. O impacto potencial inclui a eliminação de organismos-chave e o desequilíbrio da cadeia alimentar.>
A Foz do Amazonas é considerada uma das regiões mais estratégicas e ecologicamente complexas do litoral brasileiro. A área abriga rica biodiversidade, influência direta das águas do rio Amazonas e importantes rotas migratórias de espécies marinhas. Especialistas alertam que qualquer interferência ambiental nesse ecossistema pode gerar efeitos em cascata, com consequências de longo prazo.>
O laudo técnico contrasta com avaliações anteriores que indicavam ausência de risco ambiental relevante. A divergência reforça a necessidade de transparência nos processos de licenciamento e de divulgação de dados técnicos à sociedade, especialmente em empreendimentos de alto impacto ambiental.>
O episódio ocorre em meio a discussões sobre a ampliação da fronteira exploratória de combustíveis fósseis na Margem Equatorial brasileira. Organizações ambientais defendem maior rigor na fiscalização e estudos aprofundados antes da autorização de novas perfurações, enquanto o setor energético sustenta a importância estratégica da região para a segurança energética do país.>
Até o momento, não foram detalhadas as medidas de mitigação adotadas nem o monitoramento dos possíveis impactos sobre a fauna local. O caso segue sob análise dos órgãos ambientais.>