Publicado em 14 de novembro de 2025 às 13:40
O quinto dia da COP30, em Belém, começou com um protesto do povo Munduruku contra o que chamam de “mercantilização da floresta”. Por volta de 5h40 desta sexta-feira (14), cerca de 90 indígenas ocuparam a área externa de acesso à Zona Azul, espaço restrito a negociadores e credenciados, para denunciar que as negociações climáticas tratam a Amazônia como ativo econômico, especialmente no mercado de carbono.>
De forma pacífica, o grupo pediu uma reunião de emergência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mulheres, caciques, jovens e mães com crianças no colo erguiam cartazes com frases como “Nossa floresta não está à venda” e “Não negociamos a Mãe Natureza”.>
“Exigimos nosso direito aqui. Exigimos a presença do presidente Lula. Mas, infelizmente, nunca somos ouvidos”, disse uma das lideranças, criticando a distância entre as discussões oficiais e as realidades dos povos indígenas.>
Os Munduruku também cobraram a retirada imediata de invasores das terras indígenas e o fim do Marco Temporal, que limita o reconhecimento de territórios indígenas às áreas ocupadas em 1988.>
A manifestação chamou atenção de participantes da COP30, que formaram um cordão humano ao redor dos indígenas em gesto de apoio e proteção. O presidente da conferência, André Corrêa do Lago, foi até o local e conversou com representantes do grupo.>
Marco Apolo Santana, advogado da Associação Wakoborun, acompanhou o diálogo. “Elas se sentem excluídas. Parece que os governantes só ouvem quando há manifestação. Felizmente houve abertura para conversar, e agora esperamos que isso avance numa solução”, afirmou.>
Embora o protesto tenha sido inteiramente pacífico, militares do Exército bloquearam o acesso principal à Zona Azul, o que atrasou a entrada de parte dos participantes. Minutos depois, um caminho alternativo foi liberado.>
O povo Munduruku vive majoritariamente na bacia do Rio Tapajós, no oeste do Pará, e tem sido uma das vozes mais firmes contra projetos que, segundo eles, transformam a floresta em commodity e ignoram seus direitos territoriais e modos de vida.>