Publicado em 30 de março de 2026 às 08:36
O Pará registrou uma redução expressiva no desmatamento nos últimos meses, com queda de 54% entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. No período, cerca de 400 quilômetros quadrados de floresta foram derrubados, número bem inferior aos 863 quilômetros quadrados contabilizados no ciclo anterior. Apesar do recuo, o estado continua como o principal foco de devastação na Amazônia Legal.>
A redução acompanha o movimento observado em toda a região amazônica, que também apresentou melhora nos índices. Dados recentes mostram que o bioma teve queda significativa nos alertas de desmatamento, consolidando o menor patamar para o período em vários anos.>
Somente no mês de fevereiro, a área desmatada na Amazônia caiu de 119 km² em 2025 para 69 km² em 2026, o equivalente à preservação mensal de aproximadamente 5 mil campos de futebol. O resultado é considerado histórico e representa a menor área de floresta derrubada para o mês desde 2017, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento, do Imazon.>
Especialistas apontam que a diminuição do desmatamento tem impacto direto no enfrentamento das mudanças climáticas, já que a preservação da floresta ajuda a reduzir a emissão de gases do efeito estufa e contribui para amenizar eventos extremos, como secas prolongadas e tempestades intensas.>
Mesmo com a melhora, outros estados ainda aparecem em níveis elevados de devastação. Amazonas e Acre completam as primeiras posições entre os mais afetados, com cerca de 200 km² e 190 km² desmatados, respectivamente, embora também tenham registrado redução de 32% no período.>
Outro ponto que tem gerado debate é a mudança na legislação ambiental no Amazonas. Um decreto estadual publicado em agosto de 2025 reduziu o percentual obrigatório de Reserva Legal em áreas de floresta de até 80% para até 50%. Na prática, a medida altera a quantidade mínima de vegetação nativa que deve ser preservada dentro das propriedades rurais.>
A decisão também diminui a área que precisa ser recomposta por produtores que desmataram irregularmente, o que, segundo entidades ligadas à proteção ambiental, pode enfraquecer as políticas de conservação e abrir margem para benefícios a áreas desmatadas antes da publicação da norma.>
Na avaliação de especialistas, embora a queda recente seja positiva, o desafio permanece grande, especialmente no Pará, que ainda concentra a maior parte da pressão sobre a floresta amazônica. O cenário reforça a necessidade de fiscalização contínua e políticas públicas que garantam a preservação do bioma nos próximos anos.>