Óleo que vira sabão, resíduo que vira adubo e água filtrada com tecnologia social: soluções sustentáveis nascem em escolas do Marajó

No arquipélago do Marajó, estudantes decidiram transformar problemas ambientais locais, em soluções práticas de baixo custo e potencialmente replicáveis.

Publicado em 13 de março de 2026 às 15:53

Problemas ambientais locais em soluções práticas, de baixo custo e potencialmente replicáveis. —
Problemas ambientais locais em soluções práticas, de baixo custo e potencialmente replicáveis. — Crédito: Arquivo/Instituto Mondó

Em um território onde o descarte inadequado de resíduos e o acesso à água de qualidade ainda são desafios concretos, estudantes da rede pública de Breves, no arquipélago do Marajó, decidiram transformar problemas ambientais locais em soluções práticas, de baixo custo e potencialmente replicáveis.

Após três meses de mentoria e estruturação, jovens da EETEPA, do IFPA e da Escola Gerson Peres apresentaram protótipos desenvolvidos a partir de uma imersão criativa voltada a desafios do próprio território. As iniciativas, nascidas em escolas públicas, receberam recursos para desenvolvimento e foram consolidadas com apoio técnico especializado.

Economia circular a partir do óleo de cozinha

Projeto Sabão Ecológico. —
Projeto Sabão Ecológico. — Crédito: Arquivo/Instituto Mondó

O projeto Sabão Ecológico, premiado em primeiro lugar, transforma óleo de cozinha usado em sabão artesanal. A iniciativa enfrenta um problema recorrente nas cidades brasileiras: o descarte irregular de óleo, que pode causar contaminação da água e entupimento de redes de esgoto.

Além da produção, o grupo aposta em oficinas educativas para ampliar a conscientização ambiental e estimular a geração de renda local.

“A gente transformou o óleo de cozinha que seria descartado de forma irregular em um produto de qualidade, que ajuda o meio ambiente e ainda pode gerar renda para a comunidade. Com o apoio que recebemos, conseguimos melhorar a produção e mostrar que é possível empreender de forma sustentável”, afirma Anderson Cardoso, estudante da Escola Gerson Peres.

Compostagem comunitária e segurança alimentar

O segundo projeto propõe a criação de um Centro de Compostagem e Adubo Orgânico, com instalação de composteiras em escolas, incentivo à coleta de resíduos orgânicos e produção de adubo em maior escala. A proposta inclui oficinas de capacitação e implementação de hortas móveis verticais.

A iniciativa articula educação ambiental, redução de resíduos e fortalecimento da segurança alimentar no município.

“A gente começou só com uma ideia, mas hoje temos um protótipo validado que produz adubo 100% orgânico a partir de resíduos da nossa própria comunidade. Nosso objetivo é levar a compostagem para escolas e agricultores e ajudar a construir uma Breves mais saudável e sustentável”, destaca Yasmin Soares, estudante do IFPA.

Filtragem de água com tecnologia social

Projeto EcoGota. —
Projeto EcoGota. — Crédito: Arquivo/Instituto Mondó

Já a EcoGota – Filtragem Social, terceira colocada, apresentou um sistema de filtragem acessível voltado a comunidades que enfrentam dificuldades de acesso à água de qualidade. O filtro é composto por camadas de areia, carvão e outros elementos naturais capazes de reter impurezas.

Pensada como tecnologia social de fácil montagem e manutenção simples, a solução também prevê orientação às famílias sobre o uso correto do sistema e cuidados com a água.

“Queremos que a solução que nasceu aqui em Breves chegue a outros estados e ajude mais pessoas a terem acesso à água de qualidade”, afirma Keivisson Lobato, estudante da EETEPA.

Juventude amazônica como agente de transformação

Projetos revelam o potencial da juventude amazônica como protagonista de respostas locais para desafios ambientais globais. —
Projetos revelam o potencial da juventude amazônica como protagonista de respostas locais para desafios ambientais globais. — Crédito: Arquivo/Instituto Mondó

As três iniciativas foram estruturadas ao longo de um ciclo de mentoria iniciado após a maratona de inovação realizada em outubro. Durante esse período, as equipes testaram, ajustaram e consolidaram seus protótipos, que agora avançam para uma nova fase de aceleração com suporte da Hope Aceleradora Ideias.

Para Fernanda Pinheiro, coordenadora de Voluntariado e do núcleo de Educação e Renda do Instituto Mondó, as soluções mostram como inovação socioambiental pode nascer dentro da escola e dialogar diretamente com desafios climáticos e sociais.

“O Instituto Mondó acredita que o desenvolvimento sustentável precisa partir do território. Quando jovens identificam um problema ambiental e constroem uma solução viável para ele, estamos falando de inovação com impacto real. Nosso papel é fortalecer esse protagonismo e criar caminhos para que essas tecnologias sociais ganhem escala e continuidade.”

Mais do que protótipos escolares, os projetos revelam o potencial da juventude amazônica como protagonista de respostas locais para desafios ambientais globais.