Relatório aponta piora do aquecimento global e aumento de eventos extremos

O documento aponta avanço do nível do mar e impactos diretos na saúde e na economia.

Publicado em 26 de março de 2026 às 09:34

Relatório aponta piora do aquecimento global e aumento de eventos extremos
Relatório aponta piora do aquecimento global e aumento de eventos extremos Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O planeta vive um momento crítico. Dados atualizados sobre o clima global indicam que a Terra está acumulando cada vez mais calor, com reflexos já perceptíveis no dia a dia da população em diferentes regiões do mundo.

Um levantamento divulgado pela Organização Meteorológica Mundial mostra que 2025 ficou entre os anos mais quentes já registrados. A temperatura média global ultrapassou em cerca de 1,43°C os níveis da era pré-industrial, reforçando uma tendência de aquecimento acelerado observada na última década, que reúne os maiores recordes de calor da história.

Esse cenário está diretamente ligado ao aumento contínuo dos gases de efeito estufa na atmosfera. Substâncias como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso atingiram níveis inéditos em centenas de milhares de anos, intensificando o efeito de retenção de calor no planeta.

Os oceanos, que funcionam como um grande regulador térmico da Terra, também estão sob pressão. Eles absorvem a maior parte desse calor extra e, por isso, registram temperaturas cada vez mais altas. Como consequência, o nível do mar está subindo mais rápido do que nas décadas anteriores, o que amplia riscos para cidades costeiras e comunidades vulneráveis.

Além do aumento da temperatura, a água dos oceanos está ficando mais ácida devido à absorção de dióxido de carbono. Esse processo compromete a vida marinha, especialmente espécies sensíveis como os corais, e pode afetar diretamente a pesca e a cadeia alimentar.

Nas regiões mais frias do planeta, o cenário também preocupa. Áreas cobertas por gelo, como o Ártico e a Antártida, apresentam sinais claros de derretimento acelerado. A redução das geleiras e do gelo marinho contribui ainda mais para a elevação do nível dos oceanos.

Outro indicador reforça a gravidade da situação: o chamado desequilíbrio energético da Terra, que mede a diferença entre a energia que o planeta recebe do Sol e a que consegue devolver ao espaço. Esse índice atingiu o maior nível desde o início das medições, na década de 1960, mostrando que o aquecimento continua em ritmo crescente.

Os efeitos não ficam restritos ao meio ambiente. Eventos extremos, como ondas de calor, enchentes e incêndios florestais, têm se tornado mais frequentes e intensos, provocando mortes, prejuízos econômicos e deslocamento de pessoas. Situações desse tipo já fazem parte da realidade de várias cidades brasileiras.

A saúde da população também entra em risco. O aumento das temperaturas favorece a propagação de doenças como a dengue e intensifica o estresse térmico, principalmente entre trabalhadores expostos ao calor intenso.

Há ainda impactos na produção de alimentos e no abastecimento de água, pressionados por secas, mudanças nos ciclos naturais e perda de biodiversidade. Especialistas alertam que parte dessas transformações, como o aquecimento dos oceanos e a elevação do nível do mar, tende a persistir por séculos, mesmo com ações imediatas.

Diante desse cenário, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, classificou a situação como uma emergência global. Segundo ele, os principais indicadores climáticos já ultrapassaram limites seguros e exigem resposta urgente.

O líder internacional também destacou que os efeitos da crise já impactam diretamente o custo de vida, com aumento no preço dos alimentos e piora nas condições de trabalho em ambientes de calor extremo. Para ele, é fundamental ampliar investimentos em adaptação, principalmente para as populações mais vulneráveis.

Como saída, Guterres defende a aceleração da transição para fontes de energia renováveis, apontando que essa mudança é essencial não apenas para conter o avanço do aquecimento, mas também para garantir segurança energética e climática no futuro.