Publicado em 27 de abril de 2026 às 19:12
Pesquisadores de uma startup ligada à Universidade Federal do Amazonas (Ufam) criaram um novo chocolate derivado da semente de ingá, fruta encontrada na Amazônia.>
Com sabor um pouco diferente dos chocolates feitos a partir do cacau e do cupuaçu (cupulate), o “ingalate” é rico em nutrientes e tem como matéria-prima a semente do ingá-cipó.>
O item inédito já tem derivados como o bringá, que é o brigadeiro de Ingá, além de um pão nutritivo parecido com o pão integral. O conceito do produto nasceu a partir de uma observação comum em pesquisas científicas, mas com um olhar empreendedor, que buscava uma solução para o desperdício, transformando o resíduo em um produto de alto valor.>
A ideia, que acabou criando uma nova fonte de renda sustentável para as comunidades amazônicas, ganhou corpo com a startup que leva o nome do produto, a ‘Ingalate – Produção de chocolate com raízes amazônicas”. >
A equipe da doutora em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Márcia Nascimento Pinto, professora no curso de Ciências: Biologia e Química na Ufam, em Benjamin Constant, na região do Alto Solimões, foi a responsável por desenvolver o produto.>
Em muitos frutos amazônicos, apenas a polpa é aproveitada, enquanto sementes ricas em compostos bioativos acabam sendo ignoradas. Foi nesse contexto que a semente do ingá chamou atenção, e os pesquisadores perceberam que algo poderia ser feito com a semente desse fruto, aproveitando os resíduos agroflorestais, que antes seriam descartados sem uso econômico.>
“Durante as análises, percebemos que a semente do ingá, geralmente descartada após o consumo da polpa, apresentava características interessantes para o desenvolvimento de um novo alimento”, explica Francisco Silva, estudante de Licenciatura em Ciências, Biologia e Química, e um dos fundadores da Ingalate.>
De acordo com o fundador da startup, a escolha do ingá foi estratégica: trata-se de um fruto abundante na Amazônia e ainda pouco explorado comercialmente, especialmente no que diz respeito ao aproveitamento de suas sementes.>
“O ingá está associado a sistemas agroflorestais e contribui para a conservação ambiental. Além disso, apresenta um potencial nutricional e funcional ainda pouco explorado”, afirma Francisco.>
A proposta da startup é transformar um resíduo comum em insumo de valor agregado, alinhando inovação, sustentabilidade e oportunidades de mercado na bioeconomia amazônica.>
O processo produtivo é simples e tem etapas bem definidas. Após a coleta e seleção, as sementes passam por higienização e secagem. Em seguida, ocorre a etapa decisiva para o desenvolvimento de aroma e sabor semelhantes ao chocolate, finalizando na transformação da farinha.>
Com a base pronta, o produto passou por testes de análise sensorial, avaliando sabor, aroma, textura e aceitação do público. Agora os próximos passos incluem a padronização, escala produtiva, e adequação às normas sanitárias. A startup também quer desenvolver outros derivados do produto e ampliar parcerias com comunidades locais, além de fortalecer e expandir a presença da marca Ingalate em feiras, e-commerce e redes de consumo sustentável.>
Com informações da Agência Jamaxi. >