Publicado em 31 de outubro de 2026 às 12:38
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou que 657 arquivos armazenados no celular do empresário foram modificados após a apreensão do aparelho pela Polícia Federal (PF). A informação consta em uma perícia particular apresentada pelos advogados nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF).>
O celular foi apreendido pela PF em 17 de novembro de 2025 e é considerado uma das principais provas da investigação sobre as relações de Vorcaro com políticos e as supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).>
De acordo com o laudo contratado pela defesa, além dos 657 arquivos modificados, outros 436 teriam sido criados depois que o aparelho passou para a custódia das autoridades.>
Os advogados argumentam que os registros levantam dúvidas sobre a integridade do material e dificultam a verificação do conteúdo original do celular, assim como a identificação do alcance das alterações.>
“É estarrecedor que o perito tenha identificado que centenas de arquivos do celular apresentem registros de modificação quando já estavam sob custódia da Polícia Federal e do Estado”, declarou a defesa.>
Com base nas conclusões, os advogados solicitaram ao STF que a Polícia Federal forneça os dados originais do aparelho para uma nova verificação. A defesa também pediu a soltura de Vorcaro, alegando que as informações identificadas na perícia reforçam a necessidade de rever a prisão.>
O documento, no entanto, ressalta que os registros de modificação, isoladamente, não permitem afirmar que os arquivos tenham sido alterados diretamente por uma pessoa. Segundo a defesa, eles indicam que o estado dos dados mudou enquanto o celular estava sob custódia estatal.>
Indiciamento>
A apresentação da perícia ocorre um dia depois de Vorcaro e outros 14 investigados serem indiciados pela Polícia Federal na Operação Compliance, na quarta-feira (28).>
Segundo o relatório da PF, o ex-banqueiro teve participação pessoal e direta em operações envolvendo carteiras de crédito consideradas irregulares do Banco Master, que teriam provocado prejuízos ao BRB.>
A investigação aponta que, como controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro das decisões e seria o principal beneficiário econômico das operações realizadas para obter liquidez para a instituição.>
Os investigados foram indiciados pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.>
Defesa nega prejuízo ao BRB>
Após o indiciamento, os advogados de Vorcaro negaram que as operações entre o Banco Master e o BRB tenham provocado prejuízos à instituição pública.>
Em manifestação, a defesa afirmou que, após um ano de investigação, a Polícia Federal estaria repetindo a mesma narrativa, sem apresentar avanços que comprovem as irregularidades apontadas.>
Os advogados também sustentaram que o negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído e que os ativos foram substituídos por outros.>
Segundo a defesa, a substituição demonstraria que as operações geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Os advogados acrescentaram que nenhuma perícia oficial teria identificado prejuízo ao banco.>