Publicado em 13 de março de 2026 às 15:40
Nas últimas semanas, o aumento do volume de chuvas em Belém voltou a acender o alerta para o risco de leptospirose na capital paraense. Com ruas alagadas e contato frequente com água contaminada, cresce a preocupação com a transmissão da doença, que pode causar complicações graves quando não é tratada rapidamente.>
Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) reforçam o cenário de atenção. O estado registrou 155 casos de leptospirose nos últimos 14 meses, sendo 151 confirmações ao longo de 2025 e quatro registros em 2026. No ano passado, Belém foi o município com maior número de casos, com 53 confirmações.>
Para explicar como a população pode se proteger, o quadro Roma Cuida, série mensal de saúde do Portal Roma News, conversou com o médico infectologista Julius Monteiro, do Hospital Universitário João de Barros Barreto.>
Durante a entrevista, o especialista falou sobre como a doença se espalha, quais são os principais sintomas e quais cuidados devem ser adotados, principalmente em períodos de chuva intensa e alagamentos.>
Por que os períodos de chuva intensa e alagamentos aumentam o risco de leptospirose nas cidades?>
Segundo o infectologista Julius Monteiro, os períodos de chuva intensa favorecem a disseminação da bactéria responsável pela doença no ambiente.>
“A bactéria chamada Leptospira é eliminada principalmente pela urina de ratos e outros roedores. Ela pode contaminar o solo, a lama, a água e até alimentos. Durante os alagamentos, essa água contaminada se espalha por ruas, residências e áreas públicas, aumentando muito a chance de contato das pessoas com a bactéria”, explica.>
Ele destaca ainda que as enchentes dificultam as condições de saneamento e também favorecem a circulação de roedores, o que aumenta o risco de transmissão.>
Como acontece a transmissão da leptospirose?>
A leptospirose é transmitida quando uma pessoa entra em contato com água, lama ou solo contaminados pela urina de animais infectados, principalmente ratos.>
“A bactéria pode penetrar no organismo pela pele, mesmo que não haja ferimentos aparentes, ou pelas mucosas, como olhos, nariz e boca. Em situações de enchente, o risco é maior porque a água pode estar misturada com esgoto e urina de roedores”, explica o médico.>
Quais são os primeiros sintomas da leptospirose?>
De acordo com o especialista, os sintomas iniciais podem ser confundidos com outras doenças comuns, como gripe, dengue ou viroses.>
Entre os principais sinais estão febre, dor de cabeça, dores no corpo e dores musculares, especialmente nas panturrilhas. Náuseas, vômitos e mal-estar também podem aparecer.>
“Se a pessoa teve contato com água de enchente ou lama nos últimos 15 dias e começa a apresentar febre ou dores intensas, o ideal é procurar atendimento médico o mais rápido possível e informar esse contato”, orienta.>
Quem está mais vulnerável à doença?>
Alguns grupos têm maior risco de exposição à leptospirose.>
Entre eles estão moradores de áreas com alagamentos frequentes ou infraestrutura sanitária precária. Trabalhadores da limpeza urbana, profissionais de saneamento, agricultores, feirantes e pessoas que trabalham com retirada de entulho ou jardinagem também podem estar mais expostos.>
Crianças e idosos também exigem atenção especial, pois podem desenvolver quadros mais graves da doença.>
Quais cuidados devem ser tomados após alagamentos?
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O principal cuidado é evitar contato com água ou lama de enchentes sempre que possível.>
Quando isso não for evitável, o especialista recomenda o uso de equipamentos de proteção, como botas e luvas de borracha.>
Após alagamentos, a limpeza das casas e dos ambientes deve ser feita com proteção adequada e uso de solução com água sanitária, que ajuda a eliminar a bactéria do ambiente.>
Outra orientação importante é impedir que crianças brinquem em áreas alagadas.>
O que fazer após ter contato com água de enchente?>
Caso uma pessoa tenha tido contato com água de alagamento, a recomendação é lavar imediatamente as áreas do corpo expostas com água limpa e sabão.>
Se nos dias seguintes surgirem sintomas como febre, dor no corpo ou dor de cabeça, é importante procurar atendimento médico e informar o histórico de contato com água contaminada.>
“O período de incubação da doença costuma variar entre uma e duas semanas após o contato”, explica o infectologista.>
Como é feito o diagnóstico da leptospirose?>
O diagnóstico é feito com base na avaliação clínica do paciente, no histórico de exposição e em exames laboratoriais específicos, geralmente exames de sangue.>
A identificação precoce é essencial para evitar complicações mais graves da doença.>
“Quando diagnosticada cedo, é possível iniciar o tratamento adequado e reduzir o risco de evolução para formas mais graves”, afirma o médico.>
Qual é o tratamento da leptospirose?>
O tratamento da leptospirose é feito com antibióticos e deve ser iniciado o mais cedo possível quando houver indicação clínica.>
Em alguns casos mais graves, pode ser necessária internação hospitalar para acompanhamento médico e suporte clínico.>
Quando a doença não é tratada rapidamente, pode causar complicações sérias, como insuficiência renal, hemorragias e comprometimento pulmonar.>
Quais mitos sobre leptospirose ainda circulam?>
Um dos equívocos mais comuns é acreditar que existe vacina contra a doença.>
“Não existe vacina contra leptospirose. Outro ponto importante é que a pessoa pode se infectar mais de uma vez, por isso os cuidados de prevenção precisam ser permanentes”, explica Julius Monteiro.>
Segundo o infectologista, a principal forma de proteção ainda é evitar o contato com água, lama, solo ou alimentos contaminados e ampliar o acesso à informação.>
“A conscientização da população é fundamental. Informações corretas devem circular em comunidades, escolas, associações de moradores e ambientes de trabalho para reduzir o risco da doença”, conclui.>
Por Elias Felippe.>