Mercado ilegal de 'canetas emagrecedoras' cresce no Brasil e coloca consumidores em risco

Mesmo com restrições impostas pela Anvisa, versões falsificadas de medicamentos como Mounjaro e Wegovy são vendidas em feiras e farmácias.

Publicado em 20 de outubro de 2025 às 12:14

Mercado ilegal de 'canetas emagrecedoras' cresce no Brasil e coloca consumidores em risco
Mercado ilegal de 'canetas emagrecedoras' cresce no Brasil e coloca consumidores em risco Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Símbolos da perda de peso rápida e das transformações corporais exibidas nas redes sociais, as chamadas “canetas emagrecedoras”, como Mounjaro (tirzepatida) e Wegovy (semaglutida), tornara-se objeto de desejo e também de preocupação para as autoridades sanitárias. Apesar das regras rígidas impostas pela Anvisa, o comércio clandestino desses medicamentos segue crescendo em diferentes regiões do país.

Uma investigação recente revelou que o Mounjaro está sendo comercializado ilegalmente em farmácias e na Feira dos Importados de Brasília, um dos maiores centros populares da capital federal. Importado de forma irregular, o produto chega a ser vendido por mais de R$ 4 mil, valor muito acima do praticado em farmácias regulares.

Controle e fiscalização

Desde junho, a Anvisa determina que medicamentos à base de tirzepatida e semaglutida só podem ser vendidos mediante retenção de receita e em farmácias autorizadas, para garantir o uso seguro e o acompanhamento médico. A agência reforça que qualquer comercialização fora desses parâmetros é ilegal e passível de punição.

Mesmo assim, o apelo estético e a promessa de emagrecimento rápido continuam impulsionando a busca por produtos sem procedência, um fenômeno que preocupa endocrinologistas.

Riscos graves à saúde

O endocrinologista André Camara de Oliveira, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de São Paulo (SBEM-SP), alerta que versões falsificadas do Mounjaro podem causar reações severas. “Esses produtos não passam por controle de qualidade, nem esterilização adequada. O risco vai desde infecções e hipoglicemia até falência de órgãos”, explicou.

Casos semelhantes foram relatados por agências internacionais, como a FDA (EUA) e a EMA (Europa), que já investigam a circulação de falsificações com rótulos semelhantes aos originais.

Como identificar produtos falsos

A orientação dos especialistas é que os consumidores fiquem atentos a detalhes da embalagem. As canetas originais da Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, apresentam:

• selo de segurança intacto;

• número de lote e validade em alto relevo;

• código de barras legível;

• logotipo “Lilly” gravado no corpo da caneta e no lacre metálico.

As versões ilegais, por outro lado, podem ter rótulos desalinhados, fontes incorretas e ausência de registro no Ministério da Saúde.

O que fazer em caso de suspeita

A endocrinologista Carolina Janovsk, da Unifesp, orienta interromper imediatamente o uso e buscar atendimento médico. Ela recomenda guardar a embalagem e o número do lote para auxiliar nas investigações e registrar denúncia no sistema VigiMed, da Anvisa.

Também é possível verificar a autenticidade do produto pelo canal de atendimento da Eli Lilly Brasil, via telefone 0800 701 0444 ou WhatsApp (11) 5108-0101.

Compra segura só com receita

Para evitar riscos, a endocrinologista Paula Fabrega, do Hospital Sírio-Libanês, reforça que a compra deve ser feita apenas em farmácias com registro na Anvisa, sejam físicas ou virtuais. “O acompanhamento médico é essencial, tanto para definir a dosagem correta quanto para monitorar possíveis efeitos colaterais”, afirma.

Símbolos da perda de peso rápida e das transformações corporais exibidas nas redes sociais, as chamadas “canetas emagrecedoras”, como Mounjaro (tirzepatida) e Wegovy (semaglutida), tornara-se objeto de desejo e também de preocupação para as autoridades sanitárias. Apesar das regras rígidas impostas pela Anvisa, o comércio clandestino desses medicamentos segue crescendo em diferentes regiões do país. Com o aumento da demanda e o surgimento de falsificações, autoridades de saúde alertam: a promessa de emagrecimento rápido pode custar caro, e não apenas no bolso, mas também na saúde.