Publicado em 20 de maio de 2026 às 15:30
Um levantamento realizado pela Ipsos, em parceria com a empresa de identidade digital Unico, revelou que 13% das crianças e adolescentes brasileiros acessaram conteúdo adulto em 2025. O estudo, que ouviu 1.200 jovens entre 10 e 17 anos em todo o país, coloca em evidência os desafios da exposição precoce na internet e a eficácia das barreiras de proteção.>
Os dados mostram que a exposição não ocorre de forma igualitária entre os gêneros. Entre os meninos de 16 a 17 anos, o índice de acesso chega a 29%, concentrando-se no final da adolescência. Já entre as meninas, o salto mais expressivo ocorre mais cedo, entre os 14 e 15 anos, quando o acesso triplica e atinge 16%. A curiosidade foi apontada por 61% dos entrevistados como a principal motivação para buscar esse tipo de conteúdo, seguida por razões como prazer ou passatempo.>
A pesquisa também trouxe um alerta sobre a facilidade em burlar restrições: 25% dos jovens admitiram usar uma idade falsa para acessar plataformas restritas. Essa prática contribui para que cerca de 57% tenham contato com conteúdos controversos, como pornografia, violência extrema e drogas.>
A supervisão familiar mostrou-se um fator determinante na segurança digital. Enquanto 64% dos jovens de 10 a 13 anos afirmam que os pais acompanham sua vida online, esse número cai para 45% na faixa de 16 a 17 anos. O impacto é direto na vitimização: em famílias com maior acompanhamento, o índice de jovens que sofreram ofensas ou ameaças online é de 13%, saltando para 37% quando a supervisão é considerada baixa. O debate sobre a proteção de menores ganhou um novo marco com o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), também conhecido como "Lei Felca", que entrou em vigor em março de 2026. A legislação proíbe "designs manipulativos", como autoplay e rolagem infinita, que visam manter o usuário conectado por mais tempo, e exige mecanismos confiáveis de verificação de idade.>
Para atender a essa demanda, novas tecnologias estão sendo implementadas. A Unico, por exemplo, desenvolveu um sistema que utiliza selfies e inteligência artificial para confirmar a maioridade em apenas 2,5 segundos, com 99,9% de assertividade e sem armazenar dados biométricos. Segundo a empresa, a tecnologia é capaz de identificar fraudes sofisticadas, como o uso de deepfakes ou crianças tentando se passar por adultos. Para o setor de entretenimento adulto, essas medidas são vistas como uma obrigação para separar empresas responsáveis de operadores clandestinos.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>