Publicado em 20 de maio de 2026 às 15:36
O Pará iniciou 2026 com um cenário preocupante no mercado de trabalho. Cerca de 193 mil pessoas desistiram de procurar emprego no estado, segundo levantamento do DIEESE/PA com base nos dados da PNAD Contínua, do IBGE. O número faz do Pará o estado com maior quantidade de desalentados da Região Norte.>
O chamado desalento acontece quando a pessoa gostaria de trabalhar, está disponível para assumir uma vaga, mas deixa de procurar emprego por acreditar que não conseguirá uma oportunidade.>
Além de liderar os índices na região Norte, o Pará concentra quase 60% de todas as pessoas desalentadas da região. No total, a Região Norte registrou cerca de 355 mil pessoas nessa situação no primeiro trimestre deste ano, sendo que mais da metade está em território paraense.>
Os dados também mostram piora recente no cenário regional. A Região Norte teve o maior crescimento proporcional do desalento em todo o país, com alta de 20,9% em relação ao trimestre anterior. No Pará, o aumento foi ainda mais expressivo: quase 25% em comparação aos últimos meses de 2025.>
No ranking nacional, o Pará aparece como o 6º estado brasileiro com maior número absoluto de pessoas desalentadas, atrás apenas de Bahia, Maranhão, Pernambuco, Ceará e São Paulo.>
Quando analisado o percentual da população nessa condição, o estado também aparece entre os piores índices do país. O Pará tem taxa de desalento de 4,7%, acima da média da Região Norte, que é de 3,6%, e quase o dobro da média nacional, de 2,4%.>
Para especialistas, os números refletem dificuldades históricas enfrentadas pela população da região Norte, como baixa oferta de empregos formais, informalidade elevada, baixa escolaridade e poucas oportunidades de qualificação profissional.>
O DIEESE avalia que o desalento é um dos indicadores mais preocupantes do mercado de trabalho porque revela não apenas o desemprego, mas também a perda de esperança de inserção profissional. O órgão defende a ampliação de políticas públicas voltadas à geração de emprego, renda e inclusão produtiva, principalmente nos municípios mais vulneráveis do estado.>