Ações dos EUA intensificam tensões com governo brasileiro

Governo Lula aponta influência de ala ligada a Trump nas recentes medidas da Casa Branca.

Publicado em 16 de março de 2026 às 12:03

Ações dos EUA intensificam tensões com governo brasileiro
Ações dos EUA intensificam tensões com governo brasileiro Crédito: Reprodução

Nas últimas semanas, reuniões entre Donald Trump e o presidente Lula voltaram a tensionar a relação entre os dois governos, que até então vinha sendo pacificada após contatos diretos entre os chefes de Estado.

Na última sexta-feira (13), o governo brasileiro tomou a decisão de revogar o visto do assessor sênior do Departamento de Estado de Trump, Darren Beattie. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o norte-americano omitiu e falsificou informações relacionadas às suas visitas, o que embasou a decisão.

Beattie viria ao Brasil com o pretexto de participar de uma conferência sobre minerais críticos. Além disso, ele solicitou um encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, desde janeiro. Essa agenda não foi informada na ocasião em que o visto foi solicitado.

No requerimento, Trump afirmou que Beattie se reuniria com “autoridades do governo brasileiro”, mas não mencionou qualquer encontro com integrantes do Executivo. Diante do desencontro de informações, o presidente Lula determinou que o Itamaraty suspendesse o visto de Beattie.

Além da crise gerada pela visita de Beattie, o governo dos EUA tomou outras ações relacionadas ao Brasil nesta semana. A Representação Comercial dos EUA abriu, na quinta-feira (12), uma nova investigação com base no Artigo 301 da Lei de Comércio de 1974, que avalia práticas comerciais consideradas abusivas no comércio internacional. A investigação busca verificar se países estrangeiros, incluindo o Brasil, falham em impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado, o que poderia gerar vantagem competitiva injusta.

Além do Brasil, 59 outras economias, como China, União Europeia, México, Argentina e Israel, são alvo dessa investigação, que pode resultar na imposição de novas tarifas sobre produtos exportados ao mercado norte-americano, após a queda do tarifaço determinado pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro.

Diálogo entre Lula e Trump

Embora a crise tenha gerado atritos, uma ala do governo brasileiro minimiza o impacto dessas ações e avalia que o diálogo entre os dois líderes está maduro o suficiente para lidar com negociações e divergências. Fontes próximas às conversas sobre o tema afirmam que as medidas contra o Brasil têm sido articuladas por um grupo isolado de integrantes do governo norte-americano. Esses mesmos agentes teriam influenciado as decisões sobre o tarifaço e as sanções contra ministros da Suprema Corte do Brasil.

Parte dessas medidas acabou sendo revertida após a aproximação entre os dois presidentes, com a intermediação direta de Lula a Trump.

Ainda está em negociação um encontro presencial entre os dois líderes. Inicialmente prevista para março, a visita de Lula a Washington foi adiada devido à escalada do conflito envolvendo Irã, EUA e Israel, e deve acontecer até maio. O presidente brasileiro já indicou que deseja tratar de uma possível colaboração entre Brasil e EUA no combate ao crime organizado. Este tema deve ganhar destaque nas conversas, especialmente após indicações de que a Casa Branca está atenta ao avanço das facções criminosas brasileiras.