Publicado em 1 de outubro de 2026 às 16:57
A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar um suposto financiamento do governo de Donald Trump voltado a interferir nas eleições brasileiras e deslegitimar o Supremo Tribunal Federal (STF).>
A representação do órgão ocorreu após a publicação de uma reportagem pelo jornal britânico The Guardian, que revelou a destinação de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões) pelo governo dos Estados Unidos para projetos focados em promover uma campanha contra a Suprema Corte brasileira. A AGU classificou o episódio como grave diante do processo eleitoral em curso no país.>
Em nota, a AGU destacou que o recebimento de capital estrangeiro para promover ataques sistemáticos às instituições e à soberania nacional, mediante o desvio de finalidade de fundos internacionais de direitos humanos — pode caracterizar uma estrutura de ingerência externa nos assuntos internos do Estado brasileiro. O órgão ressaltou que, embora a Constituição assegure a liberdade de expressão e o direito à crítica, a ordem constitucional proíbe expressamente o financiamento ou a subordinação de agremiações políticas por entidades ou governos estrangeiros.>
Segundo a reportagem do The Guardian, a ação proposta pelo governo norte-americano era intitulada "Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil". O objetivo do projeto seria financiar grupos da sociedade civil que se opõem ao que a proposta classifica como excesso de atuação judicial e censura por parte do STF. Os recursos teriam sido alocados pelo Congresso dos EUA no Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF).>
A publicação britânica teve acesso a documentos do Departamento de Estado dos EUA, chefiado pelo secretário Marco Rubio, que detalham a distribuição de US$ 176,9 milhões para 43 projetos destinados a impulsionar as diretrizes do governo Trump em diversos países. A reportagem lembrou ainda que o governo norte-americano já havia aplicado sanções ao ministro Alexandre de Moraes e que a Suprema Corte brasileira se tornou alvo recorrente de críticas de Washington devido ao julgamento dos atos antidemocráticos e às regulamentações impostas às plataformas digitais.>
Com informações da Agência Brasil.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>